Ó, mãe! Ensaboa, mãe! Ensaboa, pra depois quarar; Ó, mãe! Ensaboa, mãe! Ensaboa, pra depois quarar.

 

Com esse refrão a Escola de Samba Unidos do Viradouro conquistou seu segundo título no carnaval do Grupo Especial das escolas do Rio de Janeiro. A escola de Niterói obteve dos jurados 269,6 pontos, mesma pontuação da Grande Rio (que perdeu no quesito desempate) e a Mocidade de Padre Miguel ficou em 3º lugar, a Baija Flor em 4º; Salgueira em 5º e a Mangueira em 6º lugar, essas voltam a Marques de Sapucaí no próximo sábado no desfile das campeãs.

A Estácio de Sá e a União da Ilha foram as duas rebaixadas para o Grupo A

O enredo “Viradouro de alma lavada” falou sobre o grupo das Ganhadeiras de Itaupã, quinta geração de mulheres que lavavam roupa na Lagoa do Abaeté e faziam outros serviços em Salvador em busca da compra de sua alforria.

Este é o segundo título da escola. A escola de Niterói foi campeã do Grupo Especial do Rio em 1997. No ano passado, ela foi vice-campeã com um enredo sobre histórias encantadas.

 

O samba tinha influência de afoxé, ritmo baiano, nos batuques e na melodia.

  • Na comissão de frente, a atleta da seleção brasileira de nado sincronizado Anna Giulia, vestida de sereia, dava mergulhos de até um minuto em um aquário com 7 mil litros de água mineral, representando a Lagoa do Abaeté.
  • Teve até cocada para o público. Os doces foram distribuídos ao lado das baianas, que representaram as quituteiras. As saias eram bordadas com figuras de abará, tapioca e acarajé. O desfile mostrou as atividades que as Ganhadeiras exerciam: lavar roupa, carregar e vender água, cozinhar e vender alimentos, costurar, vender bugigangas etc.

Essas mulheres foram exaltadas no desfile como as “primeiras feministas do Brasil”, pela força que tiveram para ir atrás da liberdade e pela importância para a cultura da Bahia.

Foi o primeiro desfile do casal carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcisio Zanon juntos na Viradouro.

A cantora Margareth Menezes desfilou como destaque do carro que lembrou as cirandas de roda à beira do mar aberto, uma contribuição das Ganhadeiras à música baiana.

A rainha de bateria, Raissa Machado, pelo sétimo ano na Viradouro, vestiu uma fantasia em homenagem à rainha dos Malês, Luiza Mahin, uma das lideranças da revolta pela libertação dos escravos em Salvador.

O grupo de encerramento se chamava “Lute como uma mulher!”, e levou mulheres negras ligadas à pauta feminista para a avenida.

 

 

 

Por Silvio Santos