Dona Francisca Rodrigues

MONTEZUMA CRUZ

Na floresta da Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto, em Guajará-Mirim, seu Napoleão Rodrigues é líder de um grupo de 12 famílias que vivem no lugar com o sugestivo nome de Paz e Amor – Comunidade Nossa Senhora do Seringueiro.

Ali, a companheira dele, dona Francisca Augusta Rodrigues, fabrica sabonetes, farinhas e óleos.

Observe a beleza desses frascos com óleo e o colorido dos sabonetes, um mais bonito que o outro.

Não importa se naqueles confins eles não tenham a freguesia esperada; o importante é que produzem até mesmo durante o inverno amazônico, quando as águas sobem e vão se espalhando até o quintal das casas.

Napoleão e Francisca cultivam dez hectares com arroz, mandioca, banana e café. Plantaram mil pés de cupuaçu, criam galinha caipira, patos e produzem farinha de mandioca. Também colhem um pouco de castanha e mantêm um viveiro com mudas de jatobá, cujo plantio em capoeiras (áreas já desmatadas) foi iniciado em 2009.

Os dois produzem ainda o próprio combustível para movimentar a mini-usina de extração de óleo e geração de energia elétrica, utilizando a técnica de produção da folha defumada líquida.

Ali naquela humilde casa de caboclo, construída com madeira da própria floresta – mara e marupá – a gente nota a diferença entre a cidade e a floresta. As madeiras são usadas em paredes e no assoalho, sem passar pela serraria. Tudo artesanal. É um pedaço da Rondônia desconhecida.

Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.