Entrevista de caçula das três meninas abandonadas levou ao emocionante reencontro. “Quero encontrar minhas irmãs, mas quero distância da mulher que me trouxa ao mundo”, diz

VILHENA – Porto de entrada de Rondônia, a cidade de Vilhena é bem diferentona de todas as demais cidades do estado. a começar pela sua colonização, feita por imigrantes do sul do país, mas tem histórias incríveis e até de repercussão nacional e internacional, como é o caso da passagem do jornalista Vladmir Herzog, torturado e morto pela ditadura. Se prestar atenção, volta e meia acontece algo inusitado em Vilhena. Até o prefeito da cidade, o sansei Eduardo Japonês se destaca, pela sua originalidade, entre os prefeitos das outras cidades.

Agora por exemplo, emerge a história de uma jovem filhas de ciganos que, há quase vinte anos, quando passavam por Vilhena, a mãe deu a luz e resolveram que descartariam a criança jogando-a em baixo de uma ponte. Seria um pacto entre esse grupo cigano de que os recém-nascidos de sexo feminino seria descartados. Uma trabalhadora do hospital regional, aonde foi feito o parto da cigana, se compadeceu da situação da recém-nascida e a adotou.

Agora ele é um linda jovem de 17 anos que busca resgatar seus lanços sanguíneos, mas já avisa que não quer não saber da mãe biológica. “Meus país são que me criaram. E são os melhores pais do mundo”, reitera a jovem.

Através de uma reportagem publicada pelo FOLHA DO SUL ON LINE, na semana passada, uma jovem de Vilhena, que fará 22 anos no mês de setembro, reencontrou, no Piauí, as duas irmãs que nem sabia que existiam.

A história dramática das garotas foi contada pelo site, que revelou uma trajetória de dores e perdas, narrada pela mais nova delas. A menina de 17 anos (FOTO) concedeu a primeira entrevista procurando a mais velha que, segundo um tio, estava morando em Vilhena.

Ao ser entrevistada, a vilhenense disse que sempre foi informada pela mãe que era adotada. Segundo contou, a mãe biológica, grávida, acompanhando outros ciganos da família, estava fazendo uma rota que passava por Vilhena, quando a bolsa estourou.

A jovem explicou que um pacto entre o grupo de ciganos, do qual seus pais faziam parte, estabelecia que todos os bebês do sexo feminino deveriam ser descartados.

A gestante cigana foi levada, naquele ano de 1998, para o Hospital Regional de Vilhena, e a mãe adotiva da jovem, que trabalhava na unidade de saúde, ajudou no parto. Quando a mãe biológica se recusou a amamentar o bebê e um parente ameaçou jogá-lo embaixo de uma ponte, a profissional de saúde decidiu acolher a recém-nascida.

Após 2 dias no Conselho Tutelar, a garota, que pediu ao site para que seu nome fosse preservado, foi levada pelo casal com o qual vive até hoje. “São os melhores pais do mundo”, declarou, acrescentando que, quando tinha 5 anos, os parentes ciganos quiseram retomá-la, “mas graças a Deus não conseguiram”.

A moça disse que quando uma amiga mandou o print da reportagem publicada pelo FOLHA DO SUL ON LINE, ele começou a chorar de emoção: “até bati a porta do carro do meu pai, de tanta alegria”, revelou, anunciando que pretende se encontrar-se com as duas irmãs recém-descobertas. Mas avisa: “quero distância da mulher que me pôs no mundo. Mãe é quem cria”, finalizou.

Fonte: com informações do Folha do Sul on Line