Pais querem transparência e diálogo sobre aulas on-line e mensalidade; donos de escolas não querem perder faturamento e será necessário arbitragem

PORTO VELHO – Uma saída encontrada por escolas particulares e públicas – neste caso algumas – para sequenciar o ano letivo neste período de “fecha tudo”, foi implantar plataformas e realizar as aulas on-line, com o professor dissertando sobre a disciplina e alunos – e pais, acompanhando em casa mesmo, mas isso está gerando uma série de questões, incluindo a cobrança da mensalidade de forma integral.

De seu lado, o Sindicato que reúne as escolas particulares, com 40 filiados, orientou a tratar da questão da mensalidade através do diálogo com os pais, mas reconhecendo que cada um de seus membros deve tomar a melhor decisão para os dois lados, inclusive quanto a férias de julho, plataformas de aulas on-line remota etc. “É importante que a escola atente porque os custos continuam, mas, por outro lado, seja entendida a situação de cada família, ainda mais porque certamente alguns pais poderão ter dificuldades em cumprir suas obrigações em razão da situação que está sendo vivida”, explicou o presidente Sindicato das Escolas Particulares, professor Guto Pelúcio.

Para vários pais ouvidos pelo expressaorondonia.com.br, a manutenção do pagamento integral da mensalidade é um dos problemas. Há outros que também preocupam, com o fato de que no sistema de aulas on-line remota muitas vezes, disseram, há dificuldades de entendimento para os alunos e que os pais também sentem essas barreiras. “Eu não sou e nunca fui professor, disse um pai que atua na área jurídica – e tenho dificuldades a entender determinadas fases das tarefas que vêm on-line, porque tenho falta de conhecimento da manipulação e, também, pela falta de conhecimento didático”.

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Pais também comentaram sobre a mensalidade. E defenderam necessidade de terem transparência melhor sobre o assunto. “Suponhamos que o custo total, inclusas todas despesas e margem de lucro, de uma escola, e cito que isso é valor baixo e hipotético, apenas para efeito de entendimento, seja de 100 mil reais. Atualmente, devido a não ter aulas, esse custo fique em 80% do valor normal de custeio. Então sou das que defendem que os restantes 20% sejam distribuídos em forma de abatimento nas mensalidades enquanto as aulas estiverem paradas”, disse uma mãe.

Outro pai explicou: “Olha só, o que se deve buscar é um desconto equilibrado, no sentido de repassar aos clientes, proporcionalmente, o valor da redução de custos que os estabelecimentos de ensino estão tendo. Com certeza nesse momento custos como  manutenção, material de limpeza, custos de luz e água tenham uma caída, então por que teremos de pagar os valores de um mês normal?”.

Há queixas, e muitas, quanto o que, dizem os pais, seja “falta de transparência e diálogo por parte das escolas. Somos clientes e temos direitos legais. Ora, quando anunciam plataformas e não se capacita o professor para aplicação, e, pior, o aluno e seus pais também não são bem orientados, todos perdem”.

Alguns pais disseram ter mandado às escolas documentos dizendo ser necessário o respeito à transparência, e que será importante, quando a escola abrir as portas, que façam aos pais uma prestação de consta sobre gastos no período e possíveis reduções de custos, para que haja uma ponderação conjunta.

“Prega-se nas escolas o diálogo, a transparência e o respeito ao próximo, mas isso também deve ser uma via de mão dupla, com o entendimento entre dois lados e não como está acontecendo agora, quando um lado impõe o que quer e o outro é obrigado a acatar sem ser ouvido. Isso foge a qualquer ideia de respeito mútuo, e nem respondem aos documentos que enviamos”, reclamou outro pai.