Enfermeiras do Hospital de Base de Porto Velho na campanha de doação de órgãos /Fotos Daiane Mendonça

VÍVIAN TATIENE NUNES CAMPOS (*)

Em artigo intitulado “Jornalismo e Saúde na Era Neoliberal”, o jornalista Bernardo Kucinski (2002) nos apresenta uma interessante reflexão entre a ética jornalística e a da saúde coletiva. Ele cita as campanhas e ações de prevenção a agravos e doenças, que tendem a se concentrar numa perspectiva de custo/benefício que determinada ação irá gerar para uma comunidade.

Por exemplo, em uma campanha de prevenção a alguma doença ou de vacinação, o foco está no conjunto da população e não, necessariamente, no bem-estar de cada pessoa, individualmente. Mesmo porque os recursos disponíveis são sempre escassos e os problemas cada vez mais complexos.

Assim, o objetivo é beneficiar um conjunto de pessoas e é por esta razão que normalmente uma vacina é aplicada em um grupo específico de pessoas, aquelas que são mais suscetíveis ao adoecimento ou à transmissão da doença, e não em toda a população. No entanto, não podemos desconsiderar que este é um critério controverso e que nem sempre é compreendido pelo senso comum e, em especial, pelos profissionais do jornalismo, que em sua maioria entendem que se há uma vacina para evitar uma doença a mesma deveria ser aplicada em todas as pessoas.

Outra observação valiosa que ele faz é a de que os profissionais de saúde acreditam que a função básica dos jornalistas seja a de realizar uma operação pedagógica com a população, auxiliando as instituições na tarefa de informar sobre os temas de saúde pública. Entendemos que o jornalismo pode eventualmente exercer tal tarefa; contudo, essa não é a função central da profissão, como Kucinski nos aponta.

(*) Coordenadora do núcleo de jornalismo da assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

Lei o texto completo na edição nº 926 do Observatório da Imprensa.
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