A tradição foi iniciada por um grupo de moradores das proximidades, liderados pelo “seu” Raimundo Fontenele, que presidia o time do Paissandu

PORTO VELHO – Uma tradição de 32 anos aconteceu novamente nesta 3ª feira “gorda”, no campo do 13, o jogo de futebol em que todos os participantes, a maioria homens casados, se apresentam devidamente “uniformizados”, usando vestidos, saias, blusas, sapatos ou “rasteirinhas” e adereços tudo feminino.

Fontenele, fundador do “Carnaval das meninas”, com a esposa

A tradição foi iniciada por um grupo de moradores das proximidades, liderados pelo “seu” Raimundo Fontenele, que presidia o time do Paissandu. No carnaval de 1988 ele e outros companheiros decidiram fazer a festa, mas ao invés de usar os uniformes normais todos se apresentaram com outro “uniforme”, roupas de suas mulheres.

Antes de começar o carnaval, as “meninas” fazem a oração do Pai Nosso

“Daí em diante a cada ano foi acontecendo e hoje é uma referência na cidade, pois quando vai chegando o carnaval a turma já começa a se organizar e cada um vem o mais arrumado possível”, explicava o Fontenele, nesta terça, ao lado da esposa e outras mulheres da família, ele devidamente “uniformizado”, saia cor de rosa, blusa preta e um chapéu de pirata.

Goleiro foi de “Doloris”, personagem dos filmes “Mudança de Hábito”

No campo do 13, localizado no Bairro Embratel, ao lado da igreja Sagrada Família, é comum especialmente nos finais de semana um público maior para assistir aos jogos, mas em todas as terças-feiras “gordas” o campo é tomado por uma torcida um tanto quanto diferente, formada especialmente por mulheres de todas as idades, mães, avós, sogras, filhas, noras, irmãs, netas, namoradas, esposas para vibrar, xingar gritar, incentivar os times jogando.

As “meninas” na tradição da 3ª de carnaval, devidamente “aparamentadas”

Nesta terça “gorda” não foi diferente, um bando de homens, cada um arrumado pelas próprias mulheres da família, com roupas delas, tentavam se equilibrar dentro de vestidos, sutiãs, disputando um jogo e um dos times chamava mais a atenção, porque o goleiro estava com um imenso vestido rodado, maquiado, bem a caráter.

O resultado dos jogos? Isso era o que menos interessava. Valia mais a diversão, uma festa carnavalesca bem diferente onde a torcida feminina esquecia até do árbitro e se divertiu muito, aliás, como todos, dentro de fora do campo.

Até no que vem, que ano que vem tem mais.