MARA PARAGUASSU

O jornal O Globo revelou que o publicitário Marcos Valério fechou colaboração premiada com a Polícia Federal.  Condenado a 37 anos e cinco meses por peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro, Marcos Valério havia entregue em junho do ano passado uma proposta de colaboração, mas o Ministério Público de Minas Gerais não teria demonstrado interesse.

Ainda não se sabe o que o empresário vai revelar. Especula-se que vai contar sobre o mensalão do PSDB, e apresentar fatos novos envolvendo proeminências petistas enroladas com a Lava Jato. Marcos Valério usou as empresas de publicidade SMP&B e DNA para comprar o apoio de políticos e partidos aliados ao governo do então presidente Lula, no episódio conhecido por mensalão do PT.  Só no Banco Rural, Valério movimentou mais de R$ 25 milhões nos anos de 2003 e 2004.

Quero não apenas que Marcos Valério solte a língua, mas também o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que em maio deste ano afastou o advogado José Roberto Batochio, contrário a um acordo com a lei, para fazer a colaboração.  Ele anda pressionado a não falar.

Palocci sabe muito, e comprometeria até a deusa do Jardim Botânico, a toda poderosa Globo, segundo a Record, emissora que mais disputa audiência com a “golpista” de todos os tempos. Estou com saudades do gostinho da Lava Jato, o sabor que coloca no camburão da Polícia Federal gente graúda como os primeiros empreiteiros, na Operação Juízo Final, em novembro de 2014, primeiro ano da operação.  

Tudo televisado para alegria contagiante de quem sempre sonhou em ver na cadeia, abrigo irremediável de negros, prostitutas e pobres, figurões de colarinho branco, autores das mais nefastas mazelas contra o país. Ver Eduardo Cunha, José Dirceu, Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Marcelo Odebrecht, Ricardo Pessoa¸ João Vacari e alguns outros atrás das grades é para comemorar demais da conta.

Lembro como se fosse hoje, véspera do meu aniversário. Considerei como um presente antecipado à proclamação da República, quem sabe um sinal de que definitivamente o Brasil entraria numa rota de dignidade e ética com a coisa pública. Por isso, desde o primeiro instante, apoiei a Lava Jato; estou, do mesmo modo que milhões de brasileiros, do lado certo.

Passadas tantas operações e investigações em suspenso – os crimes e novas linhas de investigação avolumam-se à espera de solução –, condenações na primeira instância, a mais emblemática dos novos tempos a de Lula e inanição no Supremo Tribunal Federal, a Lava Jato dá sinais de ressaca, um cansaço que abate a equipe de procuradores  e policiais e notícias de que escasseiam os recursos, algo que poderá impedir alegrias renovadoras da limpeza iniciada.

O que Antônio Palocci tem a dizer é gigante, aponta o noticiário, um deles de 3 de junho, do jornal Correio Braziliense. O ministro milionário que enriqueceu a custa de muito tráfico de influência teria munição contra bancos, setores automotivo e sucroalcooleiro, e relações suspeitas de empresas com a Receita Federal.

Além, óbvio e ululante, de informações sigilosas sob sua guarda, acumuladas perto e depois longe da esplanada – defenestrado do governo por causa do caso Francenildo –, as quais dizem respeito a Lula e Dilma, suas campanhas (2006 e 2010) e negociação de medidas provisórias com setores industriais da linha branca de produtos contemplados com generosas desonerações.   

Seriam ao todo, até agora, 12 anexos em negociação com o Ministério Público Federal, mas o eterno candidato Lula, democrata de primeira grandeza, diz ter certeza absoluta de que o companheiro de partido não fará delação. Mas, se o fizer, poderá prejudicar “muita gente, menos eu. ”

É a fanfarrice de sempre, havendo muito mais gente preocupada com eventual colaboração do ex-ministro. Na semana passada, a revista Época, da organização sob suspeita, publicou nota com cara de encomenda.

Antônio Palocci estaria desagradando procuradores, e sua colaboração corre risco de não sair. Teria dito que ia contar sobre seis ministros do STF. O procurador-geral Rodrigo Janot teria enviado emissário ao Paraná e tudo não teria passado de um traque. Verdade ou mentira da revista? Façam apostas!

Soltem a língua Antônio Palocci e Marcos Valério! Tenho saudade das operações. Servem de antidoto a quem não se emenda, como o deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator da reforma política, autor de um casuísmo que impede candidatos de serem presos oito meses antes das eleições.          

Um país doente

“Ele recebia ameaça de morte praticamente todo dia. O cara incomodava muito o tráfico, ”disse amigo do policial militar Fabiano de Brito e Silva, de 35 anos, atingido quando saia de casa na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 21.
Ele deixa mulher e três filhos. É o 90º PM assassinado no Rio de Janeiro somente neste ano. O Brasil está gravemente doente.

 Crônicas

O médico, escritor e músico Samuel Castiel lança no dia 28 próximo, sexta-feira, mais dois livros: Entre a cruz e o sabre e A interface de um morcego. São contos e crônicas prospectadas na imaginação e memórias da vida. Samuel mantem um blog com seu nome, onde publica seus escritos.
Ele é membro da Academia de Letras de Rondônia (Acler). O lançamento do livro será no Memorial Jorge Teixeira, na rua José do Patrocínio, 501, em frente ao Teatro Banzeiros, centro, em Porto Velho.

Talentos de Alto Paraíso

A riqueza de qualquer lugar é também o talento humano para as artes, música, pintura, atuação, canto. Os jovens Lucas Alves, 22 anos, e Expedita, 20 anos, descobriram a música gospel. São irmãos, já gravaram dois CDs.

Já cantam há cinco anos, lá por Alto Paraíso, a 206 quilômetros da nossa capital, Porto Velho. Que compartilhem suas descobertas na música com alegria. Carreira longa é o que desejo.     

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