BRASÍLIA – O ataque à liberdade de expressão está em alta no Brasil. De Norte a Sul há reclamações de comunicadores sendo censurado por autoridades, num retrocesso aos imemoráveis tempo da ditadura militar.

O mais grave desses ataques vem exatamente de onde se esperava a defesa das liberdades individuais e da liberdade de expressão: o Supremo Tribunal Federal, a nossa suprema Corte.

o presidente do STF, Dias Toffoli, aumenta a cada dia o torniquete contra a liberdade de imprensa e de expressão

A revista digital Crusoé afirmou ter sido intimada na manhã desta segunda-feira (15) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tirar do ar uma reportagem que afirmava que o presidente da Corte, Dias Toffoli, havia sido citado pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato.

Segundo a Crusoé, Moraes determinou a suspensão imediata da matéria, que foi ao ar na última sexta, e ordenou à Polícia Federal (PF) que ordene os responsáveis pelo material a prestar esclarecimentos no prazo de 72 horas, diz a revista. O Congresso em Foco procurou o STF, mas o tribunal informou que não irá se manifestar.

A reportagem alvo da ação do STF foi publicada, segundo a Crusoé, com base em autos da Lava Jato. A PF pediu um esclarecimento a Marcelo Odebrecht (cujos executivos fizeram acordo de delação premiada), para que esclarecesse quem seria “um amigo do amigo de meu pai”, citado em um e-mail. Odebrecht respondeu que seria Toffoli, afirma a revista.

As investigações da Lava Jato apontam que Odebrecht, em comunicações internas da empresa, costumava se referir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “amigo de meu pai”. O pai de Marcelo é Emílio Odebrecht, que também fez delação premiada.