PORTO VELHO – Um terremoto de 6.8 pontos de magnitude – considerado um dos mais fortes já registrados na região nos últimos anos – foi registrado a 89 km da cidade de Tarauacá (AC), na tarde deste sábado, 5. O epicentro do tremor foi registrado pelos serviços de sismologia a 575 km de profundidade e n~mal foi pressentido pela população da cidade. 

A região onde foi registrado o tremor está a cerca de 700 quilômetros de Porto Velho, mas não houve nenhuma comunicação sobre percepção do fenômeno.

Serviços de sismologia registraram um tremor de terra de 6.8 de magnitude no Acre na tarde deste sábado (5). O epicentro do terremoto foi a cerca de 87 quilômetros da cidade de Tarauacá, a uma profundidade de 575 quilômetros.

Por conta dessa profundidade, e pelo fato do epicentro ter acontecido em meio a uma reserva florestal, a população de Tarauacá mal sentiu o tremor, segundo apuração da RecordTV.

Não há informação sobre danos ou feridos.

Mesmo sem ter sido sentido na superfície, o tremor deste sábado entrou para a lista dos mais fortes já ocorridos no Brasil. Teve a mesma intensidade do terremoto de abril de 2018, que ocorreu na Bolívia e foi sentido em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e no Distrito Federal.

A diferença é que, naquela ocasião, o epicentro do tremor foi a apenas 10 quilômetros da superfície.

O evento ocorreu as 17h25 pelo horário de Brasília e teve seu hipocentro localizado abaixo das coordenadas 8.14S e 71.57W, a 89 km de Tarauacá, 122 km de Ipixuna (AM) e 125 km da cidade de Rodrigues Alves (AC)

Porque acontece?

É importante notar que abalos de forte intensidade naquela região fronteiriça são bastante comuns e ocorrem devido à subducção da placa tectônica de Nazca, que mergulha abaixo da placa sul-americana a uma velocidade de 70 milímetros por ano.

Entre a fossa Chile-Peru, até a costa oeste do Peru, a placa de Nazca é sismicamente ativa até profundidades de cerca de 200 km, se tornando praticamente estável até o leste do Peru a profundidades entre 200 e 500 km.

Entretanto, abaixo da fronteira entre Peru e Brasil, a placa de Nazca se torna novamente ativa entre 500 e 650 km de profundidade e foi justamente ali que ocorreu a ruptura observada em 24 de novembro de 2015, provocando dois fortes abalos de 7.6 magnitudes.

Estudos geológicos mostram que a parte profunda da placa de Nazca, na qual os terremotos ocorreram, levou cerca de 10 milhões de anos para mergulhar sob a placa da América do Sul.

Profundo e de longo alcance

Os terremotos que ocorrem a profundidades focais superiores a 300 km são conhecidos como “deep-focus” ou de foco profundo. Normalmente, esses tremores causam muito menos destruição que aqueles que ocorrem próximo à superfície, mas podem ser sentidos a grandes distâncias dos epicentros.

O maior terremoto de foco profundo já registrado ocorreu em 2013 na placa tectônica do pacífico, a 600 km abaixo do Mar de Okhotsk, no nordeste da Rússia. O evento foi calculado em 8.3 magnitudes e pode ser sentido em toda a Ásia, Moscou e Nova York.

Em 1994, outro tremor de 8.2 magnitudes ocorreu 600 km abaixo da Bolívia e foi tão intenso que fez tremer prédios nos EUA e Canadá.