O rondoniense assistiu assustado, no início deste ano, notícias sobre contaminação humana por febre amarela, em cidades do Sul e do Sudeste do País. Durante semanas, a morte de pequenos macacos foram tematizadas nos principais veículos de comunicação e serviu de combustível para lotar as Unidades de Saúde de pessoas a procura de vacinação contra a febre amarela. Frente aos dados, no Estado, os moradores ficaram atentos. Em Porto Velho, por exemplo, no primeiro semestre do ano, a secretaria municipal de Saúde realizou ações de vacinação porta a porta visando prevenir a população da doença após a morte confirmada de um primata, nas proximidades do bairro Nova Esperança, na zona Norte da Cidade. Foram momentos de tensão. 

A bióloga Camila Azzi, do Laboratório Central de Rondônia

Passados alguns meses, analistas que atuam no Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia (Lacen) apresentam o resultado de um monitoramento que fazem da incidência de doenças transmitidas por animais, como é o caso da febre amarela. De acordo com os dados, ao longo do ano, foram evidenciados exames positivos para a febre amarela no Estado, inclusive na Capital, Porto Velho, mas nenhuma contaminação em humanos. A boa notícia deriva do fato de boa parte da população ser vacinada contra a doença. “Nos últimos 10 anos, Rondônia é o estado com melhor taxa de vacinação da febre amarela da região Norte e uma das melhores do Brasil”, afirma Camila Azzi, bióloga do Lacen.

Ela explica que em situações como a de Porto Velho, em que houve a evidencia da morte de um macaco, as ações de Saúde precisam ser imediatas: “não precisa aguardar o resultado do exame, se a morte foi notificada é preciso vacinar a população do entorno imediatamente”, diz. Outra ação é o trabalho de educação sanitária feito junto aos moradores, que orienta, por exemplo, que não precisa matar ou manipular animais encontrados mortos.

MALÁRIA

Anofelino: mosquito transmissor da malária

A bióloga também falou sobre outras doenças transmitidas, que foram evidenciadas no Estado este ano. No segundo exemplo, pelo vetor de uma doença que há séculos incomoda a população de Rondônia: o da malária. Este ano, os maiores índices da doença foram registrados em Ariquemes, Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste e Porto Velho. Machadinho do Oeste caminha para a eliminação da doença, de acordo com Camila.

Já em Candeias do Jamari, onde a incidência de malária é considerada alta, profissionais que atuam no combate à doença atuam numa outra frente: a de borrifação, para ajudar a eliminar o anofelino, vetor do Plasmodium, o protozoário causador da malária. “Em seguida será analisada a eficiência da borrifação, mediante estudo junto aos insetos encontrados na região”, complementa.

Em terceiro lugar, entre as doenças transmitidas por animais, ao longo de 2018, Camila Azzi menciona a raiva animal, que também foi evidenciada em exames, cujas coletas foram realizadas em Rondônia. Os casos foram positivos não para cães e gatos, e sim, em morcegos. “Ainda assim, devemos estar atentos às campanhas de vacinação de cães e gatos”, enfatiza. Outro cuidado mencionado por Camila em relação à raiva animal, caso os moradores encontrem morcegos, tanto vivos quanto mortos é acionar técnicos do Centro de Zoonoses de sua cidade. “Os técnicos da área estão aptos a manipular os animais, além disso, poderão enviar amostras para a realização de exames no Lacen e dessa forma, poderemos acompanhar o nível de contaminação em cada região”, complementa a bióloga.

Luiz Tagliane, diretor do Lacen explica que além de doenças que apresentam interface os homens e animais, o laboratório é referência no Estado para análises em diversas áreas, tanto que possui três núcleos de pesquisas: o Núcleo de Biologia Animal, Núcleo de Biologia Médica e Núcleo de Produtos e Meio Ambiente. “Somente o Lacen tem capacidade para fazer análises de confirmação de exames de alta complexidade”, pontua o diretor. Por isso, laboratórios dos 52 municípios do Estado enviam amostras para serem validadas no Lacen.