PORTO VELHO – A página da transparência da Prefeitura de Porto Velho é uma enganação quando se trata de buscar informações. Alías, a sensação geral que começa a se dissipar entre a população, é a de que a administração tucana da capital é mesmo inclinada a muita ação de marketing e pouquíssimos resultados concretos. Na área da saúde, então, onde reina o caos e prevalece a mentira e a empulhação quando a população cobra resultados, o articulista Sérgio Pires vem denunciando, em sua coluna de hoje, a discrepância entre o número de médicos informado pela prefeitura em seu portal da transparência e o que realmente se encontra nas Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs.

UPA entregue a Prefeitura de Porto Velho e abandonada . Está sendo destruída e roubada por vândalos, enquanto a população clama por atendimento

Em qualquer bairro da cidade ou até mesmo no distrito de Jaci-Paraná, onde um prédio no vinho e totalmente equipado está sendo saqueado por vândalos sem que a Prefeitura mova uma palha para evitar a dilapidação do patrimônio público, é possível verificar unidades de saúde cujas construções estão paradas há anos, enquanto a população tem como única alternativa se dirigir para esperar a morte em um corredor do hospital de Pronto Socorro João Paulo II.

Veja o que escreve o articulista Sérgio Pires em sua coluna de hoje:

Claro que a saúde pública é e continuará sendo, durante anos, o calcanhar de Aquiles da administração pública, em todos os níveis. Na maioria dos casos, o problema é de gestão, porque dinheiro tem. As dificuldades são imensas, a começar por uma afirmação que poucos gostam de fazer: o brasileiro é um povo doente. A procura é sempre maior, mas muito maior que a oferta! O problema é que os números de pessoas atendidas, no geral são tão pífios, ante a enorme necessidade, que esse calcanhar parece já ter sido atingido por várias flechadas. Uma citação apenas: há quem espere 10 anos por uma cirurgia. Precisa dizer mais? Afora isso, o povo está mais esperto, para fiscalizar, aprendendo a buscar informações junto às redes sociais, para saber o que está realmente havendo. A saúde do Estado melhorou sim, embora longe do ideal. Mas o mesmo não se pode dizer da municipal, em Porto Velho. Mesmo com todo o dinheiro investido, com todos os gastos, com projetos e alguma estrutura, a saúde não sai do lugar. Falta de gestão? Também. Mas um porto velhense atento trouxe à coluna dados que se impõem discutir, porque ele pesquisou e ficou pasmo. Por exemplo: na Página da Transparência, da Prefeitura, há a informação de que a Policlínica Ana Adelaide tem 36 médicos para atender ao público. A UPA da Zona Leste tem outros 26. Onde estão esses profissionais? Na Ana Adelaide, desde o governo de Roberto Sobrinho, a qualidade do atendimento despencou. Era ali o protótipo da qualidade do serviço de saúde da cidade.

Ganha um prêmio quem encontrar ao menos parte destes 36 médicos que, segundo a Transparência, estão lotados naquela unidade. E a UPA da Leste? Cadê os 26 médicos? Neste final de semana, por exemplo, na maioria do tempo havia apenas um profissional de plantão. O que está acontecendo? A Prefeitura não está pagando corretamente seus médicos? Se não está, eles devem ir correndo à Justiça, buscar seus direitos. Mas se estão recebendo certinho, é a população que tem que cobrar fiscalização, dureza, comprometimento e até a substituição de profissionais que eventualmente não estejam cumprindo seus compromissos e seus plantões. Não há outra alternativa.

HORA DE FALAR A VERDADE

As deficiências da saúde pública são formadas por um pacote imenso de desrespeito, lava mãos, “os outros é que resolvam”, “já fiz a minha parte” e a “culpa é de quem administra”. Tudo isso é correto se dizer, mas é importante também que os profissionais, contratados e pagos, cumpram seus compromissos religiosamente. Não é possível que apenas alguns o façam. De parte da Prefeitura, está na hora de começar a falar com clareza o que está acontecendo e porque não há fiscalizando e dura cobrança, até porque nenhum dos seus contratados está fazendo favor ou um trabalho gratuito. Todos ganham e ganham bem. E se não ganham, logicamente que o correto é deixar o lugar para quem quer fazer o trabalho corretamente. São só os médicos os culpados? Claro que não. Mas quando uma unidade de saúde tem 36 profissionais recebendo e a boa parte deles não é encontrada no trabalho, alguma coisa está muito errada. E quem achar ruim, que faça como o porto-velhense que fiscaliza: vá à Página da Transparência da Prefeitura e verá que se está falando claramente a mais pura verdade.

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