PORTO VELHO – Se tivesse 500 mil litros de leite a mais por dia, Rondônia produziria 1,5 milhão de quilos de queijo mussarela por mês, que vendidos a R$ 15 o quilo resultariam em R$ 22,5 milhões a mais na economia estadual. O cálculo é do empresário Pedro Bertelli, proprietário do Laticínios Miraella e pioneiro na industrialização desse produto em Ouro Preto do Oeste, a 333 quilômetros da Capital. Em março do ano passado ele reabriu a Sorolac Indústria de Concentração, Secagem e Produção de Leite em Pó, em Rolim de Moura (Zona da Mata), a 482 quilômetros de Porto Velho.

Empresário reclama apoio técnico para melhorar rebanho e produção

Bertelli informa que a produção estimada diária no estado é de 1,5 milhão de litros pagos ao preço mínimo de R$ 1. A Sorolac fornece diretamente à indústria de sorvetes Dullin [Porto Velho] e a clientes Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco e São Paulo.

É dele o primeiro selo do Serviço de Inspeção Federal em Ouro Preto, a 333 quilômetros de Porto Velho, obtido com a venda de leite e queijo da marca Miraella. Ali também são fabricados requeijão, manteiga, doce de leite, leite pasteurizado e iogurte.

O queijo de fino sabor é vendido na Capital rondoniense, em cidades da rodovia BR-364 e em Rio Branco (AC).

No entanto, a situação do setor, em geral, deixa a desejar.

Bertelli reclama ações governamentais mais eficazes para melhorá-lo, especialmente assistência técnica e orientação de gestão. Em seu mais recente estudo do setor leiteiro, ele também reclama da influência do mercado do gado de corte e do regime de chuvas em Rondônia.

Exemplificando a rentabilidade hoje do mercado de gado de corte, ele diz que o animal com 17 arrobas, com dois anos de engorda alcança o preço de R$ 130,00/@, no total de R$ 2.210,00. O custo de reposição é de R$ 1 mil e a renda líquida de R$ 1.210,00. Assim, em 24 meses isso resulta em R$ 50,42/mês.

“Uma vaca com produção de 5 litros/dia rende 150 l/mês; a R$ 1,00, o resultado é R$ 150,00; 150 litros vendidos a R$ 0,80 totalizam R$ 120,00; a cada 18 meses a vaca tem um bezerro; um bezerro de gado leiteiro vale R$ 600,00, o que significa em 18 meses, R$ 33,33/mês, com rendimento total de R$ 153,33”.

“Com tanque de resfriamento se tem flexibilidade no horário de ordenha. Lembremo-nos que a vaca não morre após a lactação, mas continuará produzindo por muitos anos”, assinala o empresário.

Bertelli lembra que no final dos anos 1980 havia poucas indústrias de laticínios e a produção média diária não passava de 100 mil litros. “A primeira bacia leiteira surgiu em Ouro Preto, Jaru e Ji-Paraná. Com a instalação de novas indústrias, existe um substancial crescimento da produção de leite no estado. A produção de leite no final dos anos 1990 chegou a 1,5 milhão de litros/dia”, relata.

A cada 18 meses a vaca tem um bezerro; um bezerro de gado leiteiro vale R$ 600,00, o que significa em 18 meses, R$ 33,33/mês, com rendimento total de R$ 153,33.

Nos anos 2000, conforme estudos do empresário, a produção aumentou e o governo estadual passou a cobrar das indústrias o aumento do parque industrial bem como a diversificação da linha de produtos. No final dos anos 2000 a produção média diária passava para de 2,5 milhões de litros/dia. Nos meses de safra alcançava até três milhões.

A partir de 2010, as indústrias diversificaram sua linha de produtos e sua capacidade instalada para 4 milhões de litros/dia. Mas de cinco anos para cá, segundo Bertelli, o setor convive com uma queda muito grande na produção.

Bertelli buscou touros holandeses no Paraná e colocou-os para a reprodução. Conseguiu controlar dois mil filhos deles, fotografamos, colocamos brincos, e eles ficaram conhecidos por touros da Miraella.

A divulgação dos tourinhos atraiu compradores. O girolanda passou a ser o gado ideal para a região, adaptando-se bem. O cruzamento parece ter dado certo, apesar de a média estadual não ter passado de quatro litros/dia, enquanto Castrolândia (PR) obtém 30 litros em média, semelhantes à média obtida em Minas Gerais.

O gado é criado em regime de pasto, embora já exista silagem em algumas propriedades. Na 5ª Feira Rondônia Rural Show, na última semana de maio de 2016, vacas leiteiras [de matrizes mineiras de Araxá] de 36 meses, com produção média diária de 36 litros, eram vendidas a R$ 10 mil a cabeça.