PORTO VELHO – O longa-metragem Rio da Dúvida – Expedição Científica Roosevelt- Rondon, documentário que retrata a empreitada do coronel Cândido Mariano da Silva Rondon e o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt, entre 1913 e 1914, na exploração do rio da Dúvida, hoje chamado de rio Roosevelt, conta o com apoio do Governo do Estado de Rondônia, com a destinação de R$ 300 mil para a produção do filme.

Além do valor destinado pelo governo, a equipe de produção foi recebida pelo superintendente estadual de Turismo, Júlio Olivar, que indicou possíveis cenários, onde a expedição de Rondon esteve para gravação, além de auxiliar na logística e informações para o roteiro. Neste sábado, 19, a equipe da Setur estará no set de filmagens.

O prefeito de Espigão do Oeste, Nilto Caetano, e o diretor do filme, Mário César Cabral Marques, falam a respeito do filme

O documentário está sendo gravado nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Em Rondônia, a equipe gravou nos municípios de Vilhena, Espigão do Oeste e Cacoal, utilizando, inclusive, figurantes dos próprios municípios.

Ao filme é dada uma dimensão operística, através de uma montagem conjugando por cenas vividas por atores com imagens originais da época (início do século XX), muitas ainda inéditas, realizadas pelo tenente Luiz Thomaz Reis-o “cinegrafista de Rondon”e outros pioneiros do cinema e que fazem parte dos acervos da Memória Civelli, reunidos, durante 35 anos de pesquisas pelo cineasta Mário César Cabral Marques.

A família Civelli guarda carta recebida do  próprio Rondon, autorizando-a a filmar a vida do Marechal da Paz. Outros acervos: Arquivo Nacional, Museu do Índio, Museu Americano de História Natural de Nova York e Biblioteca do Senado Americano, com planos de forte sentido sensorial da natureza da Floresta Amazônica.

Mário César é autor do livro Rio da Dúvida – O centenário de uma epopeia. A trilha sonora , tendo como referência a linguagem operística de Villa-Lobos, incorpora, como contraponto, os cantos dos pássaros e o rugir da onça; o som do facão e das botas abrindo trilhas na selva; o troar das tempestades e das corredeiras ; o som ritmado dos remos dos canoeiros.

O filme produzido pela Barra Filmes, Grupo Casablanca e Memória Civelli, empresas do Rio de Janeiro, conta com o apoio dos netos de Rondon e patrocínio, além do Governo, de grandes empresas como a Caixa Econômica Federal e Termonorte Energia.

A previsão é que, até o dia 31 de dezembro, a produção esteja concluída, e a partir de janeiro de 2018, seja lançado em festivais de cinema nacionais e internacionais. A avant-première será realizada em Porto Velho, incluindo exposição de fotos dos bastidores das filmagens.

Dante Fonseca

Que descoberta? – questiona
o historiador Dante Fonseca

Creio que essa história de “descobrir” o rio da Dúvida foi uma conversa fiada para agradar ao Roosevelt e dar ares de grandeza ao safari brasileiro do buhana branco. Ora, se o rio já estava habitado por caboclos em suas nascentes, como o livro do Roosevelt mesmo declara, onde está a descoberta?
Aliás, tenho grande admiração pelo Rondon, mas não aprecio o hábito que ele tinha de renomear os rios para homenagear amigos e a quem admirava.
Att. Dante Fonseca