OPINIÃO DE PRIMEIRA – Durante 15 anos, um brasileiro viveu sob a suspeita da desonestidade. Aliás, esse mesmo brasileiro já foi alvo de uma dezena e meia de processos. Até agora, todos eles, em instância superior, foram arquivados ou o consideraram inocente. Mas nesta década e meia, ele teve que conviver com essa pecha, imposta por denúncias que chegam ao Judiciário sem provas contundentes, mas que, na mídia e para parte da opinião pública, o colocaram, durante todo esse tempo, como totalmente culpado. Valdir Raupp, senador por Rondônia, respondia a um processo por peculato desde os tempos em que governou o Estado, na segunda metade dos anos 90. Era mais um dos processos contra ele, o mais antigo que ainda tramitava no Supremo. O ministro Celso de Mello decidiu, só agora: ele é totalmente inocente. Não há provas que comprovem a denúncia. O mesmo tem acontecido com vários processos contra Raupp. Nenhuma condenação. A não ser de parte da mídia e de seus adversários, que imaginavam tirá-lo da vida pública para ocupar o espaço que ele deixaria. Todos, até agora, deram em nada. Mas Raupp viveu longos anos da sua vida ( e ainda vive), respondendo a tudo isso. Fez-se Justiça? É claro que não. Os que o condenaram por antecipação, continuam vivendo suas vidas normalmente. Nada os afetou. Os prejuízos pessoais, familiares, morais, financeiros e políticos que ele sofreu e continua sofrendo, jamais serão repostos.

Caso muito semelhante, embora ainda pior, é o que envolve o ex prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho. Ele, sem dúvida alguma, é um dos personagens da nossa política que mais apanhou durante sua vida pública. E continua sofrendo até hoje. Quando tinha mais de 75 por cento de aprovação do eleitorado, no auge da sua carreira política, encerrando um segundo mandato de sucesso na Prefeitura de Porto Velho, Sobrinho saiu do cargo que o povo lhe delegou, preso, como se um chefe de quadrilha fosse. Nesse período, respondeu a dezenas de processos. NENHUM o condenou definitivamente. Pelo contrário, em praticamente todos eles foi absolvido, junto com vários de seus ex assessores, também processados. Só num dia dessa semana, a Justiça mandou para o lixo, nada menos do que cinco processos contra Sobrinho, por falta de provas. Mas ele já foi condenado (e cumpre pena) pela opinião pública e por parte da mídia. Tentou voltar à vida pública, mas não conseguiu. É um homem solitário, a quem todo o peso da injustiça o transformaram numa das vítimas desse estilo de denuncismo vazio, que é um dos mais perigosos meios de destruir a verdadeira democracia. Roberto Sobrinho praticou algum crime? Pode sim ter praticado. E Raupp? Também. Mas, ao menos até agora, nenhum dos que a eles foram imputados, representou alguma condenação definitiva. Raupp ainda sobreviveu politicamente. Mas, para Roberto, foi uma vida pública e pessoal destruídas, apenas por nada. Uma tristeza.

MAURÃO VAI COM WAGNER

Há um mês e meio atrás, lideranças do grupo do ex governador Confúcio Moura propuseram ao grupo emedebista liderado por Valdir Raupp, uma acordo em que ambos sairiam candidatos ao Senado, com Wagner Garcia de Freitas, o homem das finanças do governo confunciano, assumindo a candidatura de vice-governador, na chapa liderada por Maurão de Carvalho.  A proposta incluía uma super convenção, que demonstraria a união do partido, para tentar não só eleger seus dois nomes ao Senado, como, principalmente, para dar a Maurão um apoio importante, na sua busca pelo Governo. Eram outros os tempos, contudo. Os ânimos estavam acirrados. A divisão do partido foi se aprofundando, chegando aquela convenção que quase terminou numa batalha campal, até que o acordo final fosse selado. Há quem diga que toda aquela confusão poderia ter sido evitada. Perto de 45 dias depois, enfim, o que foi proposto lá atrás, se confirmou nessa quarta-feira. Wagner Garcia de Freitas é o vice na chapa encabeçada por Maurão e tanto Confúcio quanto Raupp estariam firmando um pacto de parceria, para que os dois tentassem se eleger às duas cadeiras senatoriais.  O presidente da Assembleia, que é um dos candidatos mais fortes na corrida à sucessão de Daniel Pereira, tem como vice um dos nomes mais respeitados do governo rondoniense, onde ocupou a Secretaria da Fazenda, com sucesso, por sete anos. Ao que tudo indica, enfim, a paz voltou ao MDB!

RESCALDOS DA CONVENÇÃO TUCANA

No mundo dos tucanos e seus aliados, depois de um final de semana tenso e de uma convenção que foi pacífica apenas para o grande público, mas extremamente tensa e complicada da porta para dentro, parece que as coisas começam a andar com alguma tranquilidade. Há ainda, sim, alguns ferimentos sendo lambidos, mas ao que parece, há uma perspectiva de que os grupos (poderosos) que estão unidos na aliança, consigam conviver em paz e busquem, juntos, eleger Expedito Júnior como governador, com Maurício Carvalho de vice. A convenção colocou em confronto as famílias Carvalho (da deputada federal Mariana e sde eu irmão, Maurício), contra o grupo de Expedito e de seu filho, Expedito Neto. Não foi fácil acomodar todos os interesses, até porque havia um terceiro elemento: Marcos Rogério não aceitava outra candidatura ao Senado apoiada pelo grupo. Hábil negociador político, Expedito conseguiu, a muito custo e depois de longo tempo, baixar a tensão e acalmar os ânimos, até que se chegasse ao acordo que colocou Maurício como seu vice. E também porque Marcos Rogério teve o altruísmo (para seus companheiros de aliança), de abrir mão de uma decisão tomada de ser o único ao Senado, aceitando que a segunda vaga fosse destinada ao Vereador  Pastor Edésio, o que consolidou o ingresso do PRB e a acomodação de todos os interesses. Até o dia 15, tudo continuará igual? Ainda não se sabe…

COMEÇA A RETA FINAL DA CAMPANHA

Na próxima quarta, dia 15, encerram os prazos para os registros de todas as candidaturas às eleições de outubro. No dia seguinte, 16 de agosto, começa a campanha de rua. Dia 31 deste mês, começa a Copa do Mundo para os candidatos: o horário eleitoral gratuito na TV e Rádio, que, na verdade, é o que pode mesmo decidir uma eleição tão complexa como a que se avizinha. Em Rondônia, as alianças do PSDB/DEM/PSD e PDT/PSB/PP/PR/PT terão os maiores horários, mas só depois do MDB, o partido que ocupará maior espaço.  A partir daí, é uma sucessão de sofrimentos, relacionados com esse período da propaganda. O candidato da Rede, Vinicius Miguel, terá um tempo pífio para expor seus projetos e ideias. Só conseguirá fazê-lo mesmo através das redes sociais. Fora delas, terá poucas chances de “conversar” com o eleitor. Os demais concorrentes ao Governo também terão pouquíssimo tempo. O PSOL ainda tentou se aliar ao PT, mas não deu certo. Os petistas, ao que tudo indica (o quadro só muda se houver intervenção do diretório nacional, o que parecia ser bastante difícil, até essa quarta), vão ficar mesmo na aliança com PDT e outros partidos, apoiando Acir Gurgacz  na disputa.

LÁ SE VÃO 11 MILHÕES TODO O MÊS!

A dívida do Beron volta à pauta. Liminar do Supremo determina que Rondônia volte a pagar aquela conta pornográfica, surreal, vergonhosa, imposta aos contribuintes pela péssima gestão de enviados do Banco Central, para administrá-la, nos anos 90. A dívida era perfeitamente pagável, à época, mas a turma do BC conseguiu multiplicá-la por dez. Mesmo assim, durante mais de duas décadas, Rondônia pagou uma pequena fortuna pela conta que não era dela. Nos últimos dois anos, uma ação do Governo havia suspendido os pagamentos, até decisão posterior. Ela veio agora e, para surpresa geral, a Justiça considerou que, mesmo com todas as provas de que não só a dívida não foi feita pelo Estado, como já tinha sido paga há anos, pelos juros doentios cobrados, nada disso vale como argumento legal. A conta volta a ser paga, até que se consiga outra alternativa. Vai diminuir de algo em torno de 15 milhões por mês para 11 milhões por mês. Grande coisa! Vamos tirar dos nossos cofres essa pequena fortuna, para pagar uma dívida absurda e doentia. Rondônia é mesmo desrespeitada pelos órgãos superiores, a começar pelo Palácio do Planalto, que sempre fez ouvidos moucos aos nossos lamentos, também no caso do Beron.

CADÊ NOSSO LEGADO DA FIFA?

Há mais coisas no ar do que avião de carreira, já dizia o inesquecível humorista Barão de itararé. Aqui em Rondônia, onde a gente vê de vez em quando cavalo azul voando, você sabia que tem uma grana preta, ainda como compensação da Copa do Mundo, que deveria ter sido investida na construção de um centro poliesportivo, com projeto e tudo mais, mas que, ao menos até agora, nunca saiu do papel? A obra seria chamada de “Legado Fifa”, um marco importante  que seria entregue às comunidades brasileiras, pós Copa do Mundo. Todos os Estados brasileiros receberam benefícios. Apenas um deles, até agora, no Nordeste, construiu o centro esportivo. Para Porto Velho, o projeto foi feito e a área comprada. Ela está localizada ao lado do Moto Clube, um local excelente e enorme. Todo o projeto foi entregue, com plantas baixas e detalhes de como o Centro Esportivo deveria ser construído. Mais de quatro anos depois da Copa do Mundo do Brasil (por favor, esqueçamos o 7×1 contra a Alemanha!), nada ainda saiu do papel, da grandiosa obra projetada para Rondônia. Alguém aí sabe dizer onde está a grana e quem deve responder pela obra? Quem sabe os deputados e os vereadores da Capital não começam a ir atrás? Esperamos respostas…

OS CRIMINOSOS SÃO…CRIMINOSOS!

Não é má vontade, mas, infelizmente, a triste realidade. Há presos e ex presidiários, contratados pelo Governo para realizarem alguns trabalhos, abrindo oportunidade para a recuperação e reintegração à sociedade, que  aproveitam para praticar roubos e assaltos. Mesmo com tornozeleira eletrônica, mesmo com as chances que aparecem de poderem trabalhar e receber um dinheiro por seu trabalho, criminosos não querem saber: voltam a atacar. É só o que sabem fazer, alias. Não são todos, é claro, porque em todos os contextos existem exceções, mas infelizmente, os números não mentem: são raríssimos os casos em que presos, mesmo com todas as oportunidades,  preferem trabalhar e ganhar seu dinheirinho com o suor do rosto, do que consegui-lo de um jeito fácil. Nessa semana, em Porto Velho, a PM conseguiu prender três destes bandidos, todos prestando serviço ao Estado e, ainda, dois deles usando tornozeleiras eletrônicas, porque estão cumprindo pena, embora em regime semiaberto. Não há programa social que funcione ou projeto de reintegração que dê certo, quando o beneficiado gosta mesmo é de praticar crimes. Uma pena!

PERGUNTINHA

Você já decidiu em quem vai votar para Governador de Rondônia e para Presidente da República ou só tomará sua posição definitiva depois de acompanhar o Horário Eleitoral Gratuito na  TV e no Rádio?

Fonte: Sérgio Pires