Lúcio Albuquerque

PORTO VELHO – Quem lê o que escrevo, e não é de agora, sabe que sou defensor da melhoria de qualidade no ensino e da meritocracia como, ainda, sou contra que o Governo continue fazendo como nos últimos anos investindo no alto da pirâmide e deixando migalhas na base, justo onde começa tudo.

Sou do tempo em que a Escola Pública era de boa qualidade, o que tivemos até há algum tempo por aqui também, época em que todos tinham apelidos e ninguém morria por causa disso, ou quando professor botava de castigo aluno não ia ninguém reclamar para qualquer autoridade. Ou, ainda, época em que pais pagavam a Caixa Escolar e as famílias não recebiam qualquer livro ou fardamento para seus filhos.

Um tempo em que pais podiam punir os filhos e palmatória era onipresente, na escola e em casa – uma época em que o aluno podia ser reprovado em qualquer série, ser punido e até excluído, quando o professor era respeitado e se fazia respeitar.

Recentemente um jovem perguntou como vivíamos naquele tempo sem internet, e eu devolvi perguntando como ele conseguiria viver, agora, sem internet. E foi pela internet que recebi várias informações da mobilização da última quinta-feira quando, supostamente em “Defesa da Educação” aconteceu um “Dia Nacional de Mobilização”. Pelo que já escrevi a respeito da Educação sou um defensor da necessidade da luta constante por Educação.

No entanto, para paralisar a rede educacional, entendo não seria necessário corromper estudantes, uma grande parcela deles com certeza menores de idade, como denunciou o jornalista Alfredo Bessow, de que professores teriam oferecido pontos em matérias aos que fossem à dita manifestação (*). Isso, além de imensa falta de responsabilidade profissional é também assédio, ameaça, impedimento ao livre pensamento e corrupção.

E pior: que alunos que não tenham ido possam, por isso, serem punidos pelos professores que agem como militantes sindicais e ideológicos, o que, aliás, já vem sendo denunciado há muito tempo sem que, em contrapartida, haja qualquer ação em sentido contrário

Como disse o jornalista, com certeza esse tipo de corrupção, manipulada por quem tenha compromisso profissional com a Educação, não tenho dúvida de que como em Brasília, também a coisa tenha se espraiado por outros Estados – inclusive para Rondônia.

Essa suspeita de corrupção faz lembrar quando grupos e entes sindicais eram acusados de contratar pessoas para engrossarem manifestações contra adversários políticos, ou para apoiarem os então governantes, há poucos anos. A coisa ficou tão escancarada que era comum a imprensa tratar aquela multidão como “a turma do pão com mortadela”, porque além do transporte era o benefício que participantes arrebanhados em áreas periféricas das cidades recebiam para urrar ou para aplaudir.

(Com certeza voltarei ao assunto).

QUE É QUE “TÔ” FAZENDO AQUI?

Em Tangará da Serra (MT, um repórter da afiliada da RedeTV foi ouvir o que os estudantes, “manifestantes” tinham a dizer sobre o movimento da última quinta, e pelo visto eles nem sabiam o que estavam fazendo ali e nenhum soube explicar. As respostas, se é que aquilo pode ser chamado disso, são absurdas, se considerarmos que quem participe de uma manifestação não esteja ali apenas para fazer papel de “maria vai com as outras”. Com certeza isso aconteceu muito aqui pelos nossos lados.

PROFESSORES

Pior para os professores – e muito mais para os alunos. Ouvi de alguns que os dirigentes sindicais e açuladores de greves normalmente não dão aula, para eles tanto faz parar um dia ou um mês, porque não terão de repor as aulas. Deve ter dirigente sindical aí que faz tanto tempo está fora de sala de aula que nem é capaz de saber fazer um plano de aula.

Inté outro dia, se Deus quiser!

Lúcio Albuquerque, repórter (jlucioalbuquerque@gmail.com)