PORTO VELHO – O movimento contra privatização da Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) cresceu desde a audiência pública da semana passada na Assembléia Legislativa de Rondônia. A Ceron é responsável pelo serviço de distribuição de energia elétrica. Os manifestantes favoráveis à reestruturação e modernização do setor elétrico no Estado, enviaram Carta Aberta à Bancada Federal, e isso possibilitou que entidades e sociedade abraçassem a causa.

Lideranças sindicais atribuem o êxito da campanha à preocupação dos consumidores com o risco de pagarem mais e sofrerem prejuízos, caso a medida fosse aprovada.

Outdoors e adesivos ganharam as ruas da Capital, demonstrando descontentamento da população.

Engenheiro José Ezequiel

Segundo o engenheiro José Ezequiel Ramos, dirigente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), “a preocupação não é sem motivo”.

Lendo o manifesto, ele alertou: “As privatizações do serviço de distribuição de energia elétrica em outros estados foram “extremamente negativas”.

Mencionou o exemplo do Estado do Rio de Janeiro, que logo depois dos primeiros meses sentiu a elevação da tarifa mensal em 140%.”Se perguntarem às pessoas de outros estados onde houve privatização, se elas estão satisfeitas, com certeza elas apontarão outros problemas”. Alinhou-os:

  • Limitações na prestação dos serviços
  • Maior dificuldade de negociação de pagamento
  • Demora no atendimento
  • Constantes interrupções
  • Gradativo abandono das áreas de maior dificuldade de atendimento, principalmente na área rural.                                                                                                                                                                                                                                                            “O fornecimento de energia elétrica em Rondônia vai além de uma mera prestação de serviço público; é uma dívida social da União com os povos que aqui habitam”. ele alertou.                                                                                                                          Audiência pública

“Muitos se sacrificaram, deixando o conforto e melhores condições de saúde, para desbravarem a região e garantir as nossas fronteiras”, lembrou o engenheiro.

Ele solicitou às pessoas que tomarem conhecimento do manifesto que o divulguem e ajude a levar a informação a todos os rondonienses “sobre o crime que querem cometer com a maior empresa publica rondoniense”.

Íntegra do manifesto:

RONDÔNIA É CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA CERON, EMPRESA RESPONSÁVEL PELO SERVIÇO DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E A FAVOR DA REESTRUTURAÇÃO E MODERNIZAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO NO ESTADO

No plenário da Assembleia

As instituições da sociedade rondoniense organizada, abaixo sobrescrita, na Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia manifestam publicamente posição contrária à privatização da CERON, empresa responsável pelo serviço de distribuição de energia elétrica no Estado de Rondônia.

Ao mesmo tempo, manifestam sua preocupação com as consequências desse processo para Rondônia, bem como a defesa de um serviço público estadual de qualidade.

As experiências de privatizações do serviço de distribuição de energia elétrica nos Estados brasileiros foram extremamente negativas para população. No Estado do Rio de Janeiro, logo nos primeiros meses a tarifa foi elevada em 140%, sendo que os consumidores residenciais foram os mais prejudicados, pois tiveram o maior aumento, além disso, mais da metade dos trabalhadores foram demitidos, investimentos deixaram de ser realizados contribuindo para a precarização dos serviços.

No Estado do Pará a tarifa teve um aumento de 280%, no Estado do Maranhão o aumento foi muito mais agressivo, onde chegou a 400%. Além do aumento abusivo da tarifa de energia elétrica, as privatizações causam limitações na prestação dos serviços, maior dificuldade de negociação de pagamento, demora no atendimento, constantes interrupções e um gradativo abandono das áreas de maior dificuldade de atendimento, principalmente na área Rural do Estado, podendo enfraquecer um dos pilares da economia de Rondônia.

O fornecimento de energia elétrica no Estado de Rondônia, vai além de um serviço público, é uma dívida social da União com os povos que aqui habitam, os grandes pioneiros que desbravaram essa região. Hoje, além de gerar energia elétricas nas Usinas Santo Antônio e Jirau e ela ser consumida fora do Estado, temos no nosso passado pouco investimento para a melhoria e universalização, prejudicando o desenvolvimento socioeconômico rondoniense.

A privatização do serviço de distribuição de energia elétrica no Estado de Rondônia afetará duramente os municípios do interior e localidades com maior dificuldade de acesso, que certamente serão penalizadas e esquecidas, passando a não receber mais os incentivos sociais para subsidiar o fornecimento nessas localidades, programas sociais como o Luz para Todos serão abandonados.

Outro aspecto negativo com a privatização é o acesso irrestrito das empresas estatais estrangeiras em nosso Estado, tornando vulnerável guarnição das fronteiras, as nossas riquezas naturais e a biodiversidade, sendo um risco iminente à soberania nacional.

Como podemos observar, ao longo dos anos, tentou-se fazer com que a população acreditasse que a privatização do Setor Elétrico fosse benéfica, mas as experiências nos Estados onde essa política foi implementada os resultados mostraram outra realidade, a população vem pagando o preço muito alto.

Sendo assim, convidamos você cidadão e cidadã rondoniense, que utilizam o serviço público de energia elétrica, a contribuir com essa luta, contra privatização do serviço de distribuição de energia elétrica estadual e a favor de um serviço público de qualidade e modicidade tarifária, expressando seu repúdio a essa equivocada política do governo federal de entrega do patrimônio público e do serviço estratégico para a ocupação e desenvolvimento do nosso Estado.

Em que pese o posicionamento inicial dos que subscrevem esse documento, ser terminantemente contra a privatização, a situação histórica do sistema elétrico em Rondônia impõe medidas para sua efetiva reestruturação e modernização.

Assim, entendemos que ações legais e políticas devem ser levadas a efeito para assegurar que haja tempo suficiente para que os maiores interessados, ou seja, a população rondoniense possa apresentar proposta consistente para a resolução da questão.

Nesse sentido, se encontra em curso no Estado de Rondônia o processo de privatização, e para o qual pedimos apoio de todos, no sentido de avaliar com elementos técnicos, econômicos e socioambientais, os prós e contras dos seguintes cenários para o setor elétrico no Estado: o setor estatizado com duas alternativas, mantendo sua ligação com Sistema Eletrobras ou criando um entre federal que assuma a gestão da empresa, assegurando o empoderamento regional.

É fundamental que reunamos esforços no meio político, acadêmico, entidades de classe e na sociedade em geral para que possamos dar os rumos adequados para o setor elétrico no Estado de Rondônia e assim, possamos assegurar para população as condições dignas de cidadania que é merecedora.

Porto Velho, 30 de Março de 2017.