A pequena localidade de Ressaca, no Baixo Madeira, tem poucas casas. A grande passarela de tábuas garante aos moradores acesso quando o terreno alaga. Às margens do Rio Madeira uma frondosa árvore serve de abrigo para a espera do atendimento dos ribeirinhos no barco da Justiça. O tronco serve de banco e aos poucos eles vão resolvendo suas demandas.

Crianças são registradas, têm o reconhecimento paterno, adultos emitem documentos, reconhecem união, separam-se, regularizam título de eleitor e resolvem pendências de cobranças, litígios de terras e outros conflitos.

Os servidores da Justiça Rápida Itinerante procuram orientar cada pessoa que busca os serviços oferecidos. Esclarecem sobre os documentos necessários e os procedimentos adequados para cada questão. Caso seja necessário, aguardam chamar testemunhas e, se for muito longe, a voadeira vai buscar para agilizar o atendimento.

“Uma audiência aqui é também um momento de conversa de prestar informação, porque muitas vezes o ribeirinho não conhece os ritos legais e sequer os seus direitos. Por isso temos de ser claros e didáticos para que a comunicação ocorra de forma satisfatória. Assim, o Judiciário se aproxima ainda mais do cidadão”, opina a juíza Fabíola Inocêncio, que coordena a operação

O trabalho educativo é essencial para evitar reincidências, a exemplo de casos de violência doméstica e violência contra criança e adolescente. “Nada melhor do que informação para difundir a pacificação social”, completou.

Conceição do Galera

Em Conceição do Galera, além do interesse da comunidade, o barco da Justiça passou também a ser foco de uma reportagem da equipe do “Profissão Repórter”, programa comandado pelo jornalista Caco Barcelos.

A repórter Eliane Sacardovelli acompanha o trabalho pioneiro da Justiça de Rondônia para garantir o acesso aos serviços do Judiciário às populações mais afastadas.