BRASÍLIA – Está marcada para amanhã, quarta-feira, 17, a reunião em que o PDT (Partido Democrático Trabalhista) começa a discutir possíveis punições aos parlamentares que desrespeitaram a orientação do partido e votaram a favor da reforma da Previdência, caso da deputada Sílvia Cristina, de Rondônia, e o mais emblemático que é o caso da jovem deputada Tabata Amaral (PDT-SP). Além delas, outros seis representantes da legenda na Câmara se posicionaram favoravelmente ao projeto, o que abriu uma crise interna e levantou a possibilidade de que sejam expulsos da sigla. Participarão do encontro representantes da Executiva Nacional e da Comissão de Ética do partido.

Acompanharam Tabata os parlamentares Alex Santana (BA), Subtenente Gonzaga (MG), Silvia Cristina (RO), Marlon Santos (RS), Jesus Sérgio (AC), Gil Cutrim (MA) e Flávio Nogueira (PI) – oito entre 27 deputados da sigla. Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, a deputada afirmou que sofre “perseguição política” em função de seu posicionamento:

“Muitas vezes, consensos sobre pautas complexas não são construídos de baixo para cima, e cartilhas antigas se sobrepõem aos estudos e evidências. Quando algum membro decide tomar uma decisão que considere responsável e fiel ao que acredita ser importante para o país, há perseguição política. Ofensas, ataques à honra e outras tentativas de ferir a imagem tomam o lugar do diálogo. Exatamente o que vivo agora”, escreveu.

O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), se referiu aos dissidentes como “traidores”. Já o presidente do partido, Carlos Lupi, evitou ser taxativo sobre a chance de expulsão, mas disse que Tabata defende uma “democracia de conveniência”. A reação mais dura veio do ex-ministro Ciro Gomes, que foi o candidato do PDT à Presidência no ano passado. Segundo ele, a parlamentar deveria deixar a sigla de forma espontânea porque está fazendo “dupla militância” – uma referência ao fato de ela integrar o movimento Acredito, que prega a renovação na política.

De acordo com o estatuto do PDT, após a reunião, será aberto um prazo para que os deputados se defendam. Depois, a Comissão de Ética prepara um relatório que será levado à Executiva Nacional e, posteriormente, para o Diretório Nacional, instância final de decisão.

Nesta segunda, o Conselho de Ética do PSB, que também enfrentou dissidências na análise da reforma – 11 dos 32 deputados votaram a favor do texto –, abriu um processo contra os parlamentares que contrariam a orientação. Uma das possibilidades previstas pelo estatuto é a expulsão.

O GLOBO