LÚCIO ALBUQUERQUE

Para comemorar a instalação do município de Cacoal, em 1977, programaram um jogo de futebol entre uma seleção de lá e o Ferroviário porto-velhense, no campo do Incra. Foi a primeira vez que vi um camarada manter o ritmo da transmissão durante os 90 minutos e mais acréscimos.

Pela manhã, Macélio Pinheiro de Lima, que levara pouca fiação para estender o microfone, transmitiu a cerimônia e teve de fazer ginástica para captar a voz de quem estivesse na bancada.

Pinheiro de Lima

Sem o “retorno”, valia-se de um código simples do operador no estúdio, que avisava como o som chegava no prédio atrás da Catedral do Bom Jesus, em Porto Velho, a 500 quilômetros de distância: de dez em dez minutos ele dava um corte e o Pinheiro entendia que estava chegando bem.

Só que na hora do futebol o operador de plantão esqueceu de fazer o corte. Foi assim que o Pinheiro fez a primeira transmissão de futebol de Cacoal, e só veio a saber que fora ouvido aqui dois dias depois, quando chegamos de volta. 

         ESRON TORCENDO PELO “INIMIGO”

Até quando a Embratel, na metade da década de 1970, instalou o sistema de tropodifusão o sinal de rádio chegava aqui mais parecendo um barco subindo e descendo nas ondas do mar. Em 1958 na final da Copa da Suécia, uma turma de boêmios se juntou para ouvir o jogo na sede do Bancrevea (onde agora é o Colégio Classe A, na Avenida Carlos Gomes).

O som era uma mistura de estática e de barulho e nem a imensa antena colocada no local permitia que se ouvisse direito o jogo, que foi pela manhã mas a turma já estava tomando tudo por conta da vitória, e quando o locutor narrou o primeiro gol da partida foi uma festa: soltaram fogos, abraços, gritos de campeão, e mais dois litros do “Cavalo Branco”, o uísque da moda.

Esron Menezes

Trinta anos depois o jornalista Esron Menezes, que fazia parte da turma ainda ria muito: “A gente estava na maior empolgação, o uísque estava quente, mas ninguém ligava para isso. Foi quando apareceu o Euro (Tourinho) e chegou dizendo que nós estávamos “torcendo pelo inimigo”.

É que o primeiro gol da final foi da Suécia, mas isso foi logo esquecido, porque daí em diante só deu Brasil, 5 x  2 e campeão.