Porto Velho, RO – Duas das três representantes femininas na bancada rondoniense no Congresso Nacional decepcionaram o eleitorado durante a votação da reforma administrativa da gestão Bolsonaro. Especificamente, contribuindo para retirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça e Segurança Pública e vinculando-o ao Ministério da Economia.

A manutenção do Coaf no Ministério da Economia é o desejo de inúmeros parlamentares federais envolvidos em investigações sobre corrupção e também uma vingança de segmentos da bancada de esquerda contra o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro, por ele ter colocado na cadeia vários líderes corruptos dos partidos de esquerda e daqueles que eram seus sócios no saque aos cofres públicos.

Presidente Regional do Partido Progressista (PP), um dos principais sócios do Partido dos Trabalhadores no grandes escândalos de corrupção investigados no Brasil, preferiu não se apresentar em plenário na hora da votação.

Deputada Jaqueline Cassol teria fugido do plenário para não contrariar os caciques de seu partido

Já a deputada federal Sílvia Cristina (PDT-Rondônia) fui peituda, se apresentou em plenário e deu um sonoro não a pretensão de Sérgio Moro de utilizar o Coaf para combater crimes financeiros de grande monta.

Ela despertou a fúria das redes sociais na noite desta quarta-feira ao votar a favor de retirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O voto da deputada rondoniense atende a um desejo de parlamentares flagrados pela Lava Jato e que queriam se vingar do ex-juiz federal e atual ministro da Justiça.

Em entrevista ao Jornal Nacional há alguns dias, o ministro antecipou o que aconteceria se o Coaf saísse do controle do Ministério da Justiça:

“Em matéria de segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, a integração é tudo. Nós, então, entendemos que o Coaf é um órgão extremamente importante para a prevenção da lavagem de dinheiro. E isso vai facilitar a integração principalmente com os órgãos policiais e do Ministério Público. Assim, isso vai facilitar o enfrentamento a lavagem de dinheiro, ao crime organizado e a corrupção. Essa é a ideia. O presidente Bolsonaro, assim como eu, nós respeitamos a decisão do Congresso. Nós estamos respeitosamente querendo convencê-los de que o melhor lugar para o Coaf é aqui no Ministério da Justiça. Agora, evidentemente, a decisão é dos parlamentares.”

Nesta quarta-feira, 227 deputados federais (entre eles, Sílvia Cristina) decidiram que o Coaf deve sair do controle de Sérgio Moro. Outros 210 parlamentares votaram por manter o órgão sob o comando do ex-juiz federal, que se notabilizou por mandar para a cadeia vários corruptos envolvidos na Operação Lava Jato.

O Coaf é essencial para o rastreamento de fluxos de dinheiro ilegal. Com o avanço da tecnologia digital

e a elevada informatização do sistema bancário do país, o conselho, criado em 1998, se converteu em ferramenta básica na segurança pública.

MORO LAMENTOU

Sergio Moro lamentou a decisão do plenário da Câmara que transferiu o Coaf para o Ministério da Economia.

“Sobre a decisão da maioria da Câmara de retirar o Coaf do Ministério da Justiça, lamento o ocorrido. Faz parte do debate democrático. Agradeço aos 210 deputados que apoiaram o MJSP e o plano de fortalecimento do Coaf”, disse a O Antagonista.

A devolução do Coaf para o Ministério da Economia enfraquece o poder investigativo do órgão, de acordo com especialistas em combate à corrupção.

Dos oito deputados federais de Rondônia, somente Silvia Cristina votou favorável a retirar o Coaf de Sérgio Moro.

O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PSL) votou a favor de Sérgio Moro, seguido por Expedito Netto (PSD), Mauro Nazif (PSB) e Léo Moraes (Podemos).

A deputada Jaqueline Cassol (PP), irmã do condenado Ivo Cassol, fugiu do plenário

O deputado federal Lúcio Mosquini (MDB) estava cumprindo agenda oficial em Rondônia, representando a Câmara dos Deputados numa comitiva que acompanhou o lançamento, nesta quarta-feira, da 7ª Feira Internacional Rondônia Rural Show, em Ji-paraná, o maior evento do agronegócio da Região Norte, que tem 534 expositores.

A deputada federal Mariana Carvalho (PSDB) está em missão oficial da Câmara na Assembleia Mundial de Saúde.

Silvia Cristina está entre os Deputados que votaram seguindo o CENTRÃO para retirar o COAF das mãos do Ministro Sérgio Moro

Votada na Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (22), a retirada do Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça foi decidida por 18 votos de diferença: 228 parlamentares votaram “Não” a um pedido de derrubada da decisão da comissão mista da Medida Provisória 870 – com a qual o presidente Jair Bolsonaro montou sua estrutura ministerial –, ou seja, votaram para manter o Coaf com o ministro Sérgio Moro.

Já 210 congressistas votaram “Sim”, para deixar o órgão nas mãos do ministro da Justiça. Houve ainda 4 abstenções.

O destino do Coaf foi um dos itens apreciados em separado na votação da MP 870, que teve o seu texto-base aprovado. Isso significa que a Câmara aprovou o enxugamento ministerial promovido por Bolsonaro (o texto ainda precisa ser votado pelo Senado até o dia 3 de junho).

A retirada do Coaf do controle de Moro era a meta do chamado Centrão – grupo de partidos sob influência mais próxima do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) –, mas o placar ficou abaixo do esperado: o bloco informal esperava cerca de 260 votos, ou seja, previa um placar mais folgado do que o registrado.