José Hiran da Silva Gallo

PORTO VELHO – A equação é simples: o aumento do número de veículos em circulação, as ultrapassagens em locais proibidos, o excesso de velocidade nas pistas, a imprudência e uma combinação nada recomendada de motoristas consumindo bebidas alcoólicas antes de assumirem o volante fazem com que os feriados sejam períodos nos quais os acidentes de trânsito se tornem comuns.

Com tantos fatores na contramão, não é difícil entender por que as épocas em que se festejam datas comemorativas registram um crescimento significativo no total de mortes no trânsito. Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária indicam um aumento de 30% nos óbitos em decorrência de acidentes envolvendo veículos de todos os tipos.

Por exemplo, os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, relativos a 2016, registraram 770 mortes durante os seis dias ligados à folia de Momo (de sexta-feira à Quarta-Feira de Cinzas). Em média, foram 128,34 mortes por dia.

Assim, os feriados prolongados, como o Carnaval que se avizinha, são momentos em que a atenção deve ser redobrada por parte de motoristas, passageiros e até pedestres, pois sempre há o risco de atropelamentos.

Para os especialistas, sem dúvida, a combinação de álcool e direção é a grande responsável pelas tragédias que afetam milhares de famílias em todo o País. São filhos, maridos, esposas, mães, pais, avós – entes queridos que sucumbem ante a irresponsabilidade daqueles que não entendem o risco de consumir uma cerveja, uma taça de vinho ou uma caipirinha e depois pegar a estrada.

Não importa em que quantidade: ao consumir álcool antes de colocar o carro em rodovias ou mesmo em pequenos percursos nas cidades, o motorista imprudente coloca sua vida e a de outros no fio da navalha, ficando passível de responsabilização cível e criminal decorrentes das consequências de seus atos.

Infelizmente, mesmo que o Código de Trânsito Brasileiro (CBT) tenha endurecido as penas e punições para quem comete essa infração, há sempre os que ultrapassam os limites. As desculpas são conhecidas: “uma dose a mais não tira meus reflexos”; “é só um copo”; “bebi, mas é para ir só até ali”.

Com certeza, em algum momento de nossa vida, já ouvimos frases assim, às vezes de amigos e parentes que, no momento em que as repetiram, assumiram o risco de matar e de morrer.

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a cada motorista flagrado alcoolizado pelos agentes de fiscalização, outros 100 beberam antes de dirigir. Trata-se de um mau hábito que afeta, sobretudo, homens e pessoas com idade entre 25 e 34 anos.

Enquanto médico, faço um alerta aos desavisados: para não se colocar em risco, garantir a integridade dos outros e não levar multas, a única saída é não beber. Não há truques que disfarcem a presença do álcool no organismo humano. Comer, tomar café, beber água, ingerir doces ou mesmo um cochilo não eliminam seus efeitos.

Por isso, para que o Carnaval deixe boas saudades e a vida continue a ser festejada por muito tempo, cada um de nós deve fazer sua parte. Em primeiro lugar, não baixemos a guarda: tenhamos atenção redobrada no trânsito, prudência em cada ato e cuidado com a manutenção dos veículos.

Se temos a responsabilidade de conduzir um veículo, deixemos de lado a bebida. Se somos passageiros ou amigos, fiquemos atentos para impedir que alguém alcoolizado exponha a si próprio e outras pessoas a situações imprevisíveis.

Se estivermos na rua ou quisermos sair, mas tivermos bebido ou pretendamos fazê-lo, devemos optar por ir com o “amigo da vez”, ou então a pé, de ônibus ou táxi.

Ninguém pode esquecer que basta uma fração de segundo para que uma péssima escolha adquira a dimensão de uma tragédia. Assim, façamos o máximo para que no Carnaval, assim como em todos os outros dias do ano, evitemos o choro por conta dos acidentes e possamos celebrar a vida com muita alegria!

*Diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina; pós-doutor e doutor e em Bioética