PORTO VELHO – O Restaurante  Comunitário Prato Cheio lembrou hoje (7) o Dia Mundial da Saúde, não apenas com a divulgação de cardápios da casa, mas de cuidados contra doenças transmissíveis. Às 11h, as portas se abriram uma vez mais para receber a clientela da zona leste e de outros bairros de Porto Velho. Frequentadores saborearam feijoada acompanha de omelete.

“Boa tarde, hoje nós viemos aqui para mostrar bons cardápios e falar coisas boas para vocês”, anunciou a nutricionista Cleide Maria Albuquerque, cearense de Itapipoca, recém-chegada ao programa de alimentação saudável da Coordenação de Segurança Alimentar (Cosan), órgão da Secretaria Estadual da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas).

Jennifer com a filha Mônica Cristina

Aposentado após cirurgia de próstata, o mestre de obras Osvaldo Felício Santos, 68, dois filhos e seis netos, morador Bairro Escola de Polícia, elogiou o cardápio, ao qual se habituou há quase dois anos:

“Nessa comida não aparece gordura, nem sal”.

Todos pararam diante da mesinha, no corredor, para ouvir as breves palestras. Entre as conversas paralelas ouviam-se comentários a respeito da melhoria alimentar desde o início do funcionamento do restaurante. Pesquisas feitas pela Seas revelam o êxito do programa.

Antes de subir de novo na bicicleta com a qual anda todo Bairro JK (zona leste), a maranhense Maria Madalena Santos Nunes, 72, ouve o comentário de Osvaldo e se queixa: “Eu tava com saudade de vir aqui, mas segunda-feira a comida estava muito sem sal”.

Maria Madalena, do Bairro JK, recebeu conselhos sobre o sal. Ela anda de bicicleta, aos 72 anos

Foi o suficiente para a nutricionista Cleusa Firmino explicar-lhe as metas da Cosan, em consonância com o Direito Humano à Alimentação Adequada. E ainda reconhecer: “A longevidade tem a ver com o físico, e a senhora se acostumará aos cardápios, para pedalar muito mais”.

A Seas distribuiu panfletos contendo informações a respeito de alimentos antiestresse [combatem depressão e ansiedade] e reforçou a campanha de higiene de casas, quintais e cuidados com doenças transmissíveis.

“Vou levar um”, anuncia Jennifer Bezerra de Melo, 21, operadora de caixa no Terminal Urbano de ônibus, no Bairro Cai N’Água. Com a filha Mônica Cristina, um ano, que ainda amamenta, também comenta com alegria: “A comida é ótima, sempre que posso, venho”.

Na parede interna do refeitório destacam-se em pintura com fundo verde: a Lei da Quantidade, Lei da Harmonia, Lei da Qualidade e Lei da Adequação, e os Dez passos para uma alimentação saudável.

Pelo restaurante circulam diariamente 1,5 mil pessoas. Tomando-se por base o chamado efeito multiplicador, cada panfleto entregue será visto por pelo menos três pessoas em casa, no total de 4,5 mil pessoas.

Assim, nutricionistas e servidores do restaurante entregaram após o almoço informações ilustradas a respeito da prevenção da gripe influenza, hantavirose, leptospirose, escorpiões e poluição do ar.

Dirigido a “mães, donas de casa e profissionais, homens bem sucedidos que praticam esportes e crianças que, além das provas, ainda possuem muitas atividades após as aulas”, o panfleto branco, simples e bem elaborado, descreve as propriedades antidepressivas do alface, espinafre, brócolis, peixes e frutos do mar, laranja, castanha-do-pará, maracujá, ricos em vitaminas do complexo B, C, zinco, selênio, lactucina, lactupicrina, entre outras.

Uma explicação importante sobre o maracujá: “Ao contrário do que diz a crença popular, a fruta não é calmante, mas sim suas folhas. Elas contêm alcaloides e flavonoides, substâncias depressoras do sistema nervoso central, o conjunto do cérebro com a medula espinal, responsável pela sensibilidade e pela consciência. Por isso, atuam como analgésicos e relaxantes musculares”.

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