Porto Velho, 10h30, 14 de junho de 2017: táxis estacionados em frente à Praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

PORTO VELHO – Há mais entre o céu e a terra do que supõe a vã filosofia. Após a manifestação de taxistas e mototaxistas, hoje irmanados, o prefeito Hildon Chaves prometeu a representantes sindicais “ações enérgicas” da Secretaria Municipal de Trânsito (Semtran) contra motoristas que utilizam o aplicativo Uber na Capital. Taxistas consideram o Uber pirata. Chamado de “estrangeiro” no carro de som estacionado em frente à Praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, quarta-feira, o secretário Marden Negrão cedeu. A quem?

Legalmente, como tratar do poder de alguns permissionários de centenas de placas de táxi na Capital? – indagam as pessoas em redes sociais. Algumas xingam. Outras lembram que não faltam passageiros para todas as categorias de transporte.

Pouco se comenta das diárias que empresários de táxi cobram de seus explorados trabalhadores, e do direito que lhes dão para invadir espaços de passageiros durante o ato de compra de bilhetes de ônibus nos guichês da combalida estação rodoviária de Porto Velho.

Negligência que se arrasta há anos exige a aplicação da lei, porque a cessão de placas em Porto Velho se transformou em negócio mafioso, embora a Câmara Municipal silencie e se omite. O momento impõe o debate em torno da possível autorização para táxi lotação.

Será mais fácil para o Município ater-se à demagogia e ceder a pressões do que debater ao pé da letra o funcionamento de todos os tipos de serviços aos usuários, mesmo que ceda também ao discurso repetitivo da “crise econômica”.

Quem é “taxista legal”? O motorista pai de família explorado, ou donos de frotas? O desafio do debate está lançado; vereadores e deputados precisam se encorajar para enfrentá-lo /Foto G1

Até há pouco tempo, taxistas atacavam, vociferavam e não se davam por conformados com a aprovação do mototáxi em Porto Velho. Diante do Uber americano, rebelam-se e até usam da violência contra a ordem, desafiando o poder público e autoridades policiais, a exemplo da agressão ocorrida em 17 de maio.

Às pressas, em caráter emergencial, o prefeito Hildon Chaves foi notificado do protesto de quarta-feira e optou por deixar tudo como está, há anos. Ou seja: cedeu à força de privilegiados permissionários, notórios conhecidos por contribuírem na eleição de vereadores e deputados há pelo menos três décadas.

O filho de um deles, por exemplo, é o vereador Ediwilson Negreiros (PSB), eleito num acordão e sob as bênçãos de Chaves, presidente da Câmara Municipal para o biênio 2019-2020. Até lá, não a frota de taxistas, mas uma azeitada máfia dominaria taxistas laranjas, alugadores de placas, enquanto o usuário segue com o congelado direito de escolher o melhor preço.

Negreiros preso na eleição de 2012 por “compra de votos”, só assumindo o cargo por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, o mesmo que deixou o Brasil de olhos arregalados, dias atrás.

Antes pisoteados por taxistas, mototaxistas hoje são seus aliados para combater “inimigo comum” /Foto Rondoniaovivo

Com algumas lágrimas de crocodilo, o secretário Marden Negrão lamentou o bloqueio feito por taxistas e mototaxistas na quarta-feira. E ostentou como vitória administrativa a apreensão de 42 veículos, cujos donos foram acusados de atuação irregular na cidade.

Porto Velho ainda sentirá um pouco mais o tumulto dessa “batalha” quase campal pelo táxi. É que, além do Uber, surge outro serviço na praça: o aplicativo brasileiro Yetgo, que passou a funcionar em 2016. O Yetgo oferece valores mais baratos na corrida com serviços de carro comum, executivo, mototáxi e motofree.

LEIA MAIS
Ônibus atrasam após protesto