BRASÍLIA – Apesar do clamor da população pelo fim da corrupção na política, na contramão dessa corrente, quatro deputados de Rondônia assinam o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar, com base em mensagens divulgadas pelo site The Intercept, supostas arbitrariedades e ilegalidades cometidas pelos membros da Força Tarefa da Lava Jato e pelo então juiz Sergio Moro.

O pedido de CPI da Lava Jato foi validado pela Mesa da Câmara dos Deputados na última sexta-feira (13). Ainda é necessário que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), autorize a instalação da CPI, mas, pela vontade dos deputados federais Mauro Nazif (PSB), Expedito Netto (PSD), Jaqueline Cassol (PP) e Silvia Cristina (PDT), a CPI, também conhecida como ‘Vaza Jato’, já pode ser instalada.

A autora do pedido, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) contou que desde o recesso de julho vinha tentando recolher as 171 assinaturas necessárias ao pedido de CPI, que foi protocolado na quinta-feira (12). O pedido foi apresentado por oito parlamentares de esquerda e já conta com assinaturas suficientes para a deflagração da investigação.

Resumidamente, a ideia é apurar supostas ações ilegais patrocinadas pelo ex-juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e demais membros da força-tarefa da Lava Jato. Essas eventuais irregularidades foram denunciadas, de acordo com o grupo criador do requerimento, através do site The Intercept Brasil.

Justificativa

O site Intercept Brasil publicou, no último dia 9, uma série de reportagens com base em supostas mensagens trocadas por meio de aplicativos de conversa por celular, entregues por uma fonte que pediu sigilo.

As mensagens apontam para a colaboração entre o então Juiz da 13º Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, e os Membros da Procuradoria da República no Paraná.

As conversas, caso comprovadas, levantam suspeitas de que o atual Ministro da Justiça e os Membros do Ministério Público agiram com parcialidade, objetivo pré-estabelecido e motivação política na investigação de processos em Curitiba.

Há textos atribuídos ao Procurador Dallagnol que mostram dúvidas sobre a solidez da denúncia do ex-presidente Lula, no caso do tríplex, localizado no Guarujá, 4 dias antes de a denúncia ser oferecida ao então juiz Sérgio Moro.

Também há conversas que indicam que Sérgio Moro coordenou os trabalhos investigatórios, articulado estratégias de divulgação para a mídia, orientando ações e sugerido alteração no cronograma das investigações. A atuação da força-tarefa deve ser revestida de legalidade, técnica, impessoalidade e imparcialidade do juiz da causa. Os diálogos apresentados representam expresso confronto ao artigo 145 do Novo Código de Processo Civil.