Em 2018, as mulheres que moram em Rondônia ganharam 18,26% a menos que os homens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na semana passada. A média dos salários recebidos em todo o ano de 2018 por homens foi de R$ 24.516, enquanto as mulheres ganharam em média R$ 20.040 ao ano, uma diferença de quase R$ 4,5 mil.

Os números de 2018 mostram uma pequena diminuição na diferença salarial entre gêneros em relação a 2017, quando as mulheres recebiam 18,42% menos que os homens.

Diferença salarial entre gênero
Fonte: IBGE

Segundo o IBGE, em 2017 as mulheres receberam em média R$ 18.993 por ano, enquanto os salários dos homens alcançaram a cerca de R$ 23.230.

Ocupações e obstáculos

A pesquisa também aponta que em todo o país a participação das mulheres no mercado de trabalho é maior entre os serviços domésticos (95%). Logo na sequência como professoras de ensino fundamental (84%), balconistas e vendedoras de loja (62,9%).

Participação da mulher no contingente da ocupação

Também existem obstáculos que afastam ou dificultam a ocupação das mulheres no mercado de trabalho, como as responsabilidades repassadas a elas. As atividades domésticas são um exemplo disso.

Segundo a professora adjunta do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB), Danusa Marques, há barreiras gerais, da estrutura da sociedade, que desvalorizam o trabalho, a atuação e as identidades femininas.

“Para mudar esse cenário é preciso enfrentar a divisão sexual do trabalho doméstico e do cuidado, porque ela afeta completamente a vida das mulheres, em todas as suas dimensões”, afirma.

A professora ainda explica que é preciso redistribuir o trabalho de cuidar da família, porque ele não deve ser uma responsabilidade exclusividade feminina.

“Sem creches, escola integral, equipamentos de cuidado público, não é possível redistribuir a responsabilidade de cuidado da família”, pontua Danusa.