PORTO VELHO – O espoucar dos primeiros fogos despertou passageiros de ônibus que estavam nas paradas próximas ao Ferroviário e ao Mercado Municipal. Na lateral do mercado, ratazanas corriam assustadas, entrando na caixa de esgoto. “O que eles querem?” – perguntou dona Terezinha de Paula, 67 anos, moradora no Bairro Ulisses Guimarães, sentada no banco do ponto do mercado. “Eles são legalizados, pagam imposto e não aceitam os piratas” – responde Antenor Farias, 53, chapéu de palha, óculos escuros, morador no Areal.

Às 15h, ônibus de linhas urbanas estavam atrasados. Ainda sem conhecer a situação do período da manhã, passageiros reclamavam a motoristas e cobradores, que se esforçavam para explicá-la. “Confundiram tudo, eles me perguntam de greve, que greve?” – disse um motorista da linha Guajará. Às 16h40, ônibus ainda enfileiravam-se em pontos do centro, até que a frequência fosse recuperada.

Às 11h (de Rondônia) da manhã de hoje, centenas de taxistas e mototaxistas concentrados ao lado do Prédio do Relógio, saíram em manifestação pela Avenida Sete de Setembro, reivindicando o direito de fazer lotação, caso o grupo Uber seja aceito no município de Porto Velho.

Entraram na avenida apitando e buzinando. Funcionários de lojas e pessoas que transitavam pelas calçadas da avenida pararam para ver o movimento.  Ouviram-se palavras de apoio e, ao mesmo tempo, algumas críticas à classe.

UBER é uma empresa multinacional norte-americana, prestadora de serviços eletrônicos na área do transporte privado urbano, com base noaplicativo E-hailing, que oferece serviço semelhante ao táxi tradicional. É popularmente conhecido por serviço de “carona remunerada”.

Carros da Cooptaxi, na Praça da Madeira-Mamoré /Fotos Rondoniaovivo

Nos parabrisas traseiros dos táxis, motoristas escreveram apelos: taxi lotação e pirata não. Secretaria Municipal de Transportes e prefeito Hildon Chaves reúnem-se com líderes sindicais dessas categorias, a fim de chegar a bom termo.

O protesto é pacífico. Do alto de um carro de som, um ativista grita palavras de ordem e saúda a população da Capital de Rondônia. Passageiros e motoristas de ônibus também são cativados a apoiar a manifestação.

Mototaxistas participam, em massa, do protesto desta quarta-feira

No início de junho, o Tribunal de Justiça de Rondônia negou pedido de tutela que solicitava a suspensão imediata dos serviços do Uber em Porto Velho. Esse pedido fora feito pela Associação dos Taxistas da Rodoviária de Porto Velho (Rodotaxi).

O Uber começou a operar na Capital em 17 de maio. A empresa ofereceu inicialmente o serviço do UberX, que dispõe de carros com quatro portas, ar-condicionado e com menos de nove anos de uso.

Naquele mesmo dia, um motorista com aplicativo Uber foi agredido e teve o carro destruído por taxistas, na rua João Pedro da Rocha. Segundo a vítima, de 26 anos, seu carro estava estacionado no pátio de um supermercado, quando foi chamado para uma corrida. Ao chegar no local, próximo a uma cooperativa de táxi, diversas pessoas cercaram o carro, o danificaram, e agrediram a vítima.