PORTO VELHO – O PMDB, que trocou de nome recentemente (MDB) para tentar se livrar da percepção pública de ter o maior número de filiados envolvidos em roubo de dinheiro público, fez na manhã desta sexta-feira, em Porto Velho, um movimento para tentar enganar o deputado estadual Maurão de Carvalho – chamado de ‘O Pato’, por muitos que juram ser seus amigos – por mais um tempo. Ao final do encontro, o presidente regional da legenda, o advogado Tomás Correa, saiu anunciando que o partido vai às eleições deste ano com dois candidatos ao Senado, Confúcio e Raupp e Maurão de Carvalho a governador.

Reunião dos caciques do MDB para acalmar os ânimos do preocupado Maurão de Carvalho

Enquanto isso, dá-lhe negociações com Acir, com o PSDB e até com o senador Ivo Cassol, que já avisou que será candidato e vai pedir o segundo voto ao senado para Valdir Raupp.

Consegue entender? Nem o Maurão, que admitiu logo em seguida, em uma entrevista no rádio, que estava muito apreensivo, mas que este encontro o tranquilizou quanto à possibilidade de uma nova rasteira política, tal qual ele levou de Ivo Cassol nas eleições de 2014, quando ele queria ser o candidato do PP a governador e foi preterido pela irmão de Ivo, Jaqueline Cassol. Mudou de sigla e vai levar uma nova rasteira.

Nos bastidores, poucas articulações levam em conta uma candidatura de Maurão de Carvalho ao Governo do Estado.

Maurão de Carvalho: “fui convidado para entrar no partido com a garantia de ser o pré-candidato a governador”

Numa análise superficial, a pergunta simples que se faz é a seguinte: tendo exercido um mandato de vice-governador muito proativo e estando em alta nas pesquisas, aceitaria o vice-governador Daniel Pereira assumir o mandato-tampão, substituindo Confúcio, não sair à reeleição e depois cair no limbo político?

Em política, essa é uma equação de difícil resolução.

Maurão disse que o anúncio feito por Tomás Correia e Valdir Raupp é importante, porque a todo o momento apareciam comentários fomentados por outros pré-candidatos, sobre uma possível saída de Confúcio do PMDB. “Disseram até mesmo que eu estaria deixando o partido. Eu recebi alguns convites, aos quais agradeço. Mas o momento é de fortalecer a legenda”, acrescentou.

É bom não fechar as portas que se estão lhe abrindo, deputado.

Ele lembrou que ingressou no PMDB com a garantia de que seria pré-candidato ao governo, feita por Raupp, Tomás Correia e Confúcio, e que isso se concretizou. “Não resta dúvidas de que o compromisso está sendo cumprido. E agora Confúcio Moura, se quiser, disputará o Senado no partido”, acrescentou Maurão.

Ao falar com a imprensa após o encontro no diretório regional do MDB, o presidente do diretório estadual do partido, Tomás Correia, anunciou que o governador Confúcio Moura (PMDB) foi convidado a ser pré-candidato ao Senado pela legenda, e de início aceitou. O outro pré-candidato ao Senado é o senador Valdir Raupp (PMDB). Tomás Correia também confirmou a pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa, Maurão de Carvalho (PMDB) ao governo.

De acordo com Valdir Raupp, estava havendo muitas conversas de que Confúcio Moura deixaria o PMDB e que estava havendo uma debandada no partido. Segundo ele, a entrevista coletiva coloca um ponto final à questão. “Temos dois pré-candidatos ao Senado e um pré-candidato ao governo, que é o deputado Maurão de Carvalho”, destacou.

Tomás Correia explicou aos jornalistas que, juntamente com Valdir Raupp, esteve na quinta-feira (11) em Ariquemes, com o governador, e sabendo do desejo de Confúcio em disputar o Senado, apresentou o convite para que ele seja pré-candidato pelo PMDB. “Ele disse que em princípio aceita, e que fará ajustes no governo e também uma avaliação do cenário político”, acrescentou.

Valdir Raupp disse que mantém um relacionamento de longa data com o governador, citando que iniciou na vida pública há 35 anos, sempre reforçando os pedidos para que Confúcio fosse candidato. ”Foi assim quando ele concorreu pela primeira vez a deputado federal e quando se candidatou ao governo pela primeira vez. Ele chegou a sair da convenção para voltar para Ariquemes. Eu telefonei para ele e o encontrei no Candeias. Pedi que ele voltasse, garantindo que ele seria o candidato do PMDB. Ele voltou, renunciou à Prefeitura de Ariquemes e ganhou a eleição”, lembrou.

Valdir Raupp e Tomás Correia disseram ser importante dar continuidade ao trabalho que o governador Confúcio Moura vem desenvolvendo em Rondônia. Para eles, isso será possível trabalhando para eleger um pré-candidato do MBD. “Maurão tem todo nosso apoio. Desde Jerônimo Santana, só deixamos de lançar candidatura própria uma vez, quando nosso pré-candidato desistiu na véspera da convenção, para apoiar outro nome”, lembrou.

O deputado Edson Martins (PMDB) disse que o assunto de uma eventual saída de Confúcio do partido vinha ganhando corpo, e que agora o assunto estava esclarecido. “O governador não sairia do lado de pessoas que sempre estiveram com ele”, citou.

E Confúcio não dá um pio!