A manhã é transparente,
Brilha o sol com seu calor.
Tanto sonho de repente
Misturado com suor.
Lava, lava, lavadeira,
Sua roupa-ganha-pão,
Você tem a vida inteira,
Pra cumprir sua missão.
[Cícero Alvernaz]

Montezuma Cruz

A amazonense de Manaus, Jacira da Silva Marques, 64, sete filhos, 11 netos, moradora do bairro Castanheira (zona Sul porto-velhense), entrou no Hospital de Base Doutor Ary Pinheiro em 1983. Antes, trabalhava na Empog, empresa de limpeza e asseio que prestava serviços ao governo do extinto Território Federal de Rondônia.

“Eu vim de lá com 28 anos de idade. Gosto muito do trabalho, das companheiras, da direção do hospital, e pretendo me aposentar aqui mesmo”, disse.

Outra amazonense, também nascida naquela capital, Maria Laíde Gomes, 60, tem um filho e dois netos, e também chegou jovem a Porto Velho, aos 24 anos. Sua folha de serviços é exemplar: antes desse emprego, trabalhava na empresa Estacon.

“Fui pedreira, carreguei muito tijolo na construção deste hospital. Depois arrumei a vaga. Lavamos roupas de todo lado, às vezes até do Cemetron”, relata.

Com 34 anos de casa, Maria Elza de Souza, 62, mãe de um casal de filhos, sai de ônibus do bairro da Balsa para se incorporar ao time das lavadeiras.

No turno corrido das 7h às 18h, às vezes elas movimentam até meia tonelada de roupas. Antigamente, o modelo era manual, atualmente a lavanderia industrial consome sete mil litros de água por hora.

“Aqui nós atendemos todos os hospitais e somos 17 em cada plantão”. Maria Elza

Nascida em Rio Branco (AC), Maria Neusa de Farias, 68, veio para Porto Velho aos 19. É a recordista entre as mães: tem 11 filhos, apenas um falecido.

“Antes daqui, trabalhei no Hospital Santa Marcelina (no Km 17 da BR-364) e depois entrei na saúde do estado, onde estou há 30 anos”, informou a lavadeira moradora de Candeias do Jamari, a 24 quilômetros de Porto Velho.

Pra chegar no horário, me levanto todo dia às 4h30”, disse.

Elenir Batista dos Santos, 54, quatro filhos e dois netos, também madruga no bairro Cohab Floresta “para não atrasar nem 15 minutos”. Antes da lavanderia, trabalhou dez anos em serviços gerais na Seduc, quando a sede ficava na Esplanada das Secretarias, no bairro Pedrinhas.  “Depois, fui para o João Paulo e só saí quando fecharam a lavanderia de lá (entre 2014 e 2015)”, relatou.

Segundo Elenir, a equipe conhece peça por peça, e sabe de qual hospital veio.