Lúcio Albuquerque

SUGESTÃO

Parabéns ao jornalista Ciro Pinheiro, que entregou à chefia de gabinete da prefeitura a sugestão de que o nome do prédio do Relógio, onde nesta sexta-feira foi oficialmente instalado o gabinete da prefeitura portovelhense passe a ser conhecido como “Palácio Prefeito Joaquim Augusto Tanajura”, primeiro prefeito eleito de Porto Velho. O difícil vai ser convencer a equipe do atual sucessor de Tanajura a entender a importância e a homenagem ao primeiro alcaide eleito do município empossado a 1 de janeiro de 1917.

TRANSFOBIA??????

Nesta quinta-feira ouvi uma conversa que realmente colocou zumbido na minha cabeça: um homem e uma mulher discutiam sobre a decisão do STF relativa à homofobia. Os dois, pela maneira de falar, devem estar na faixa além de 35 anos e grau superior de escolaridade. Aí um deles deu uma travada, e eu, pelo costume do “ouvido de repórter”, acabei colando no papo.

A – E essa transfobia, vc sabe o que seja?

B – ??? Transfobia? Nunca ouvi falar….

Cada um abriu o celular (e eu fui junto). Como os dois concluíram eu também não encontrei em qualquer dos quatro dicionários (inclusive o VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) que consultei. Em outro local do “dr. Google”, uma síntese: Transfobia é “rejeição ou preconceito contra os transexuais ou o transexualismo”.

Depois de não terem visto uma explicação, os dois passam a outro tema, e aí certamente vai interessar a muita gente:

A – Tá bom. Suponha que eu esteja num restaurante e dois trans ao lado namorando e isso me incomode porque meu filho de 5 anos está vendo tudo. Aí eu mude de mesa, posso ser acusado de homofobia ou transfobia?

Aí lembrei da frase atribuída ao vice-presidente Pedro Aleixo, quando da edição do AI-5, que ele não assinou porque, como lhe é atribuído, de que ele não tinha medo da lei mas “do guarda da esquina”.

FOLGANDO

Que tal o governo criar vergonha e mandar descontar dias parados dos que, a cada mês, decidem suspender aulas? Tudo por um final de semana prolongado, porque a “paralização” cai justo numa sexta-feira. No entanto, como apropria Justiça continua anunciando multa a sindicatos e, pelo visto, isso não é levado a sério, assim como não se vê medida de defesa efetiva do direito de ir e vir quando bloqueiam estradas, ou quando (sabe lá quantos?) milhões ou centenas de milhares de estudantes deixam de ter escolas. Perguntem a (especialmente) mães cujos filhos ficam um dia sem ter aulas e elas não tenham onde deixar a criança, se concordam com isso.

VIÚVA DE CABRAL

Há alguns anos um médico do então único hospital na época do Território, respondeu à pressão de uma esposa do governador de então que cobrava atendimento prioritário a um afilhado dela: “Senhora, é bom fazer caridade, ainda mais com o tempo, a paciência e o dinheiro dos outros”. No caso dessas paralisações será aplicável a frase. Afinal, no fim do mês os salários estão integrais e quem leva a pior serão os professores que terão de repor aulas – os sindicalistas, encastelados em seus peleguismos, nem se lembram disso, e também prejuízo para alunos e aos pais que acabam tendo de pagar alguém para deixar seus filhos.

ARTICULAÇÃO

Articulação. Cheira muito a “é dando que se recebe” o vocábulo muito conjugado por congressistas quando o assunto sejam as reformas com as quais o Bolsonaro pretende melhorar o Brasil. O vocábulo é “Articulação”. Não fica um cheirinho de “toma-lá-dá-cá” que, conforme a mídia, vinha sendo prática comum nas relações parlamento x governo?

PERDA

O jornalista Clóvis Rossi, que foi editor de jornais como Estado de São Paulo e Folha, faleceu ontem em São Paulo devido a um problema cardíaco. Nosso (bom) jornalismo ficou mais pobre.