Ana Terra, nasceu em Porto Velho, mas está em Brasília (DF) desde os 13 anos. Revisora, tradutora e editora de textos há mais de dez anos. Graduada em Letras, especialista em revisão de textos e mestra em linguística pela UnB. Integram seu portfólio a Editora da Universidade de Brasília, Editora Brasiliense, Livraria do Advogado e a Editora da Universidade do Rio de Janeiro.

Autora do livro Plágio: palavras escondidas sobre plágio na escrita acadêmica, publicado em 2014. Sócia-fundadora da editora Sobrescrita, sediada em Brasília.  Atualmente, escreve outro livro sobre o ofício da revisão textual.

Clube do Livro – Se alguém quiser ser copidesque e/ou revisor, quais características pessoais deve ter? E por onde pode começar a procurar formação nessa área?

O conselho geral é o mesmo para os escritores: leia muito, de tudo, e sempre. É preciso ter curiosidade sobre todo tipo de texto e tema, além, claro, de conhecimento linguístico e textual. Não se costuma falar disto, mas para mim há ainda um requisito fundamental: todo revisor deve ser também um pouco escritor. Ele precisa conhecer de perto os processos da composição, os possíveis entraves à criação textual e as estratégias para vencê-los. Muito mais que ter memória para regras gramaticais e acordos ortográficos, o revisor deve ter a capacidade de se colocar no lugar do escritor. É que nosso trabalho se dá muito próximo daquele da composição – lidamos com o texto em processo, e não produto, já finalizado.

Clube do Livro – Existe algum livro que você recomendaria a um leitor leigo (seja por algum personagem ou pelo enredo em geral) que você acredita que apresente um pouco de sua profissão?

História do cerco de Lisboa, de José Saramago, tem como protagonista um revisor que acrescenta um “não” indevido em um manuscrito e, com esse gesto, altera o curso da história da cidade. Em Variações em vermelho, o argentino Rodolfo Walsh nos apresenta um personagem revisor que, por seu olhar perspicaz e minucioso, colabora para investigações policiais – uma interessante aproximação entre o trabalho do detetive e o ofício desse leitor privilegiado que somos nós, revisores.

A entrevista, neste blog