PORTO VELHO – Algo de bom acontecerá no Km 1 da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no dia seis de maio, sábado. A Associação das Famílias Tradicionais e Pioneiras do Bairro Triangulo lança o projeto denominado “O Triângulo Renasce“, prioritário para a adesão de moradores da área e simpatizantes para demonstrar à sociedade a história do bairro mais antigo de Porto Velho. Lá estarão notáveis comunicadores.

A construção de uma usina hidrelétrica bem próxima, o sucateamento dos bens da ferrovia mais isolada do planeta no século passado e o debate a respeito da recuperação do pátio ferroviário acompanham esse lançamento.

“Aula Barco” é o que propôs para a ocasião o vereador e historiador Aleks Palitot, até há pouco apresentador do programa de televisão Trilhando a História.

O memorialista Anísio Gorayeb falará do Triângulo e o situará no contexto sociopolítico e econômico da Capital rondoniense. Haverá comidas típicas, danças folclóricas e outras atividades no Km 1, entre 16h e 21h.

Aimada com o movimento, Eva Aracy disse hoje (26) que a luta das famílias continua, apesar de tantos desencontros nos esforços para contar com bons frutos da aliança entre o bairro e o poder público.

Na verdade, o Triângulo não foi bem sucedido na administração anterior. Passou praticamente ao largo das prioridades urbanísticas da prefeitura.

“Agora, o Triângulo renasce que nem Fênix, não das cinzas, mas em estilo totalmente peculiar ao que foi arrastado depois das construções das usinas hidrelétricas nos fundos dos nossos quintais e que contribuíram para nos abater, embora temporariamente”; eles nunca contavam com o legado de destemidos pioneiros, aqueles que nunca desistem de seus objetivos”, ela disse,

Homens públicos estão hoje despertados para a retomada da história porto-velhense, notadamente o Triângulo, que vem experimentando também o projeto de replantio de espécies nativas. Eva menciona o apoio do vereador Aleks Palitot e de sua equipe de assessores. “A todos, manifestamos gratidão, especialmente aos que ajudaram e continuam nos apoiando na luta para preservar e conservar a nossa história de vida”, acrescenta.

Por quê Triângulo?

No chão do Prédio do Relógio, peças do trem que passava pelo Triângulo até 1972, e depois, nos anos 1980, quando recuperado temporariamente

O funcionamento da ferrovia que ligou Porto Velho a Guajará-Mirim, no início do século passado deu a Porto Velho a oportunidade de erguer um bairro semelhante às cidades caribenhas, especialmente Barbados.

Em cima de palafitas viviam negros barbadianos e caboclos ribeirinhos, a exemplo de outras pequenas Vilas do Baixo Madeira.

O bairro surgido desde a colocação dos trilhos da Madeira-Mamoré fora constituído por um complexo triangular, uma rótula de ligação para que as locomotivas penetrassem a leste, nas proximidades dos igarapés, onde ficavam as caixas-d’água abastecedoras dos tenders [vagão acoplado] das locomotivas.