PORTO VELHO –  Antes sucateada, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) vem tendo agora seu patrimônio mobiliário e imobiliário recuperado. Ou ao menos, voltado às discussões palacianas com a vigência do Plano Nacional de Recuperação de Ferroviário.

O primeiro passo, nesse rumo, teria sido em 2009 pelo ex-Presidente da Associação dos Moradores da Baixa da União, George Telles de Menezes. De lá pra cá, ferroviários, soldados da borracha seringueiros, direta e indiretamente, vêm contribuindo com as tratativas Juno aos governos do Município, Estado e da União Federal.

Com relação ao Complexo Ferroviário cinco Ações Civis Públicas junto ao Ministério Público (MPE/MPF) provocaram mudanças no tratamento dado a não menos famosa ‘Ferrovia do Diabo’ por autoridades que chegaram a aventarem que ‘aquilo ali, não passa de um monte de ferro retorcido’.

Como complexo arquitetônico, artístico e cultural do acervo deixado por mais de 70 nações, por seus concidadãos empenhados nas obras de construção da ferrovia, hoje, os primeiros passos dessa história que valeu a pena trilhar desde o século passado, ‘a cultura ferroviária, face aos ‘afrouxos’ de gestores do passado, volta a ter sua luz a brilhar’, ressalta José Bispo de Morais, 86, presidente da Associação da categoria.

– E o apito ensurdecedor da Locomotiva 05, através da Litorina que voltará a circular sobre os trilhos no domingo 9, a partir das 9h, até a Vila Santo Antônio, será lembrado, efusivamente, aduziu Bispo.

Os passeios no vagão a motor serão cobrados ao preço simbólico de R$ 5, com itinerário programado de 2, 3 quilômetros (Dois Mil e Trezentos Metros) a serem percorridos em 25 minutos com o transporte de 14 pessoas, mais o maquinista que as conduzirá à plataforma de embarque e desembarque, entre o igarapé do Bate-Estaca, do Museu Rondon ao antigo Casarão.

Sem misturar os novos elementos urbanos envolta das mudanças do traçado original da ferrovia por conta e risco das usinas hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio), ‘o evento contará com as figuras dos ferroviários (vivos e remanescentes), do prefeito Hildon Chaves, autoridades, intelectuais, além da imprensa e do público, em geral, diz a programação.

Implícita na cultura dos porto-velhenses e remanescentes demais de 70 cidadãos advindos de países diferentes, ‘as coisas do patrimônio da Madeira Mamoré e da gente que a construiu começam serem juntadas’, sentencia o Vice-Presidente da categoria, George Telles, O Carioca.

A inauguração dos passeios na Litorina – recuperada pelos ferroviários – ‘trata-se de um momento ímpar da histórica restauração de parte do Complexo Ferroviário e das linhas originais onde nasceu a cidade de Porto’, diz com a voz entrecortada, Bispo de Morais.

Por força da necessidade da valorização, conservação e preservação do patrimônio histórico e artístico da ferrovia ainda disperso pelo país, a volta dos passeios na Litorina no domingo 9, ‘significa também a consolidação daquela área até a cidade de Guajará-Mirim como bem do povo, fora ou dentro do traçado do assunto ferroviário’, apontou Carioca.

Enfim, após o ato cidadão que celebrará a abertura dos passeios na Litorina – que ganhou um terminal improvisado em madeira da Prefeitura -, dirigentes da ASFEMAM irão anunciar à comunidade parte das conquistas obtidas, por força das tratativas com o Governo Jair Bolsonaro, entre as quais, a liberação de R$ 20 milhões, o georreferenciamento do traçado até Guajará-Mirim, bem como a inclusão da EFMM no Plano Nacional de Recuperação de Ferrovias.