Nova Mutum-Paraná: o fenômeno do esvaziamento na Amazônia Ocidental Brasileira

PORTO VELHO – Não se sabe ao certo quantas são, nem para onde elas foram. A cem quilômetros de Porto Velho, Nova Mutum Paraná, projeto urbanístico de dois milhões de metros quadrados e 1,6 mil casas construídas pelo Consórcio Energia Sustentável do Brasil, está esvaziando.
O fenômeno ocorreu depois do recolocação de famílias moradores em áreas alagadas pela Usina Hidrelétrica Jirau, na rodovia BR-364, no sentido Guajará-Mirim.

Estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero) e desenvolvido pelo professor da Universidade Federal de Rondônia, Artur de Souza Moret, desperta a atenção das universidades de Brasília, Mato Grosso e São Paulo. Ele pretende constatar possíveis alterações no projeto. “Por exemplo, a construção de um templo de madeira quando já existia o de alvenaria, e a troca de telhas de barro por fibrocimento em algumas casas”, mencionou.

Nova Mutum Paraná foi inaugurada em 19 de janeiro de 2011. Ainda não se sabe se os moradores se mudaram para Abunã, Jacy-Paraná ou Vila Jirau, mas há indícios de negociações de casas, aluguéis e situações de abandono de imóveis.

Artur Moret

“Afinal, por que a maior parte deles abandonou o lugar? Quais as causas exógenas?”, questionou o professor mestre e doutor nas áreas de Física, Energia (produção de eletricidade, calor e potência) e Desenvolvimento Sustentável.

Moret espera esclarecer isso depois de constatar se houve algum tipo de falha no projeto ou faltaram oportunidades de trabalho nessa região que no passado explorou látex de seringueiras nativas, viveu o ciclo do ouro nos anos 1980 no Rio Madeira, e na Ponta do Abunã explora madeira.

No estudo dos momentos vividos pelas 1,8 mil pessoas dessa nova cidade, ele notou modificações nas casas. “Possivelmente para voltarem ao antigo modo de vida, porque colocaram cercas de madeira e telhas de fibrocimento muito comuns em toda Amazônia Ocidental Brasileira”, opinou.

Planejada pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, a cidade surgiu ao lado do antigo distrito de Mutum Paraná.

Moradores ganharam ruas asfaltadas, água tratada, esgoto, rede de telefonia fixa e móvel, acesso à internet banda larga, coleta seletiva de lixo, praças e áreas de lazer, escolas de ensino fundamental e médio, terminal rodoviário, Correios, agência bancária, posto de saúde, central de abastecimento, setor para instalação de indústrias de médio e grande porte, centro comercial e feira livre dos produtores rurais.

DESPESAS

Se antes ninguém pagava contas de energia elétrica, depois da mudança a despesa aumentou, por causa do consumo de eletrodomésticos e do ar condicionado, principalmente.

Esse tipo de gasto familiar é uma das pistas encontradas pelo professor Moret. Ele baseia-se na situação de 42 famílias de Novo Engenho Velho, a oito quilômetros de Porto Velho.

O dístico que não deu certo

“Essas pessoas são remanescentes da Cachoeira de Santo Antônio e se mudaram em consequência da construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio”, lembrou.

Moret notou que, a exemplo de Nova Mutum Paraná, apesar de receberem casas com instalação de água, energia e fossa séptica, moradores de Novo Engenho Velho pagam a energia consumida por dois tanques de peixes, cuja água tem que ser trocada a cada oito dias.

MONTEZUMA CRUZ
[Com informações originais do autor publicadas no portal www.rondonia.ro.gov.br]