PORTO VELHO – De família humilde e dedicado a defesa das causas sociais, migrante sulista como grande parte da população do Estado, o ex-deputado estadual Nereu Klosinski (PT) viveu os últimos 13 (opa! olha a coincidênica…) anos com fantasma da injustiça de carregar nos ombros uma acusação da qual ela estava convicto da própria inocência. Não é fácil – confirma o próprio.  Neste quarta-feira, 24, uma reparação e alívio. Foi absolvido por unanimidade no processo penal que apurou irregularidades na folha de pagamento da Assembleia Legislativa, esquema que ficou conhecido como “folha paralela” e desvendado pela Operação Dominó.

O ex-deputado Nereu Klosinsk: aliviado

“É como ter uma espada apontada para o peito ou está com a cabeça sob a guilhotina. Tem que conviver com o olhar de desconfiança de algumas pessoas. Sinto-me um pouco aliviado desse calvário”, desabafa.

Os advogados Zênia Cernov e Hélio Vieira apresentaram uma defesa técnica, demonstrando que Nereu Klosinski não era ordenador de despesa, não participou de nenhum esquema, não indicou ninguém para a folha de pagamento e não praticou nenhuma irregularidade.

A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, julgou nesta quarta-feira, 24, os recursos de outros 15 deputados estadual e alguns assessores em inquérito da Operação Dominó – uma das grandes operações da Polícia Federal no Brasil, com prisões de gente poderosa do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público, Tribunal de Contas e membros do Executivo. Eles já estavam condenados em primeira instância, a maioria a mais de dez anos de cadeia (veja também).

O desembargador Roosevelt Queiroz, relator do enorme processo, proferiu voto generoso, absolvendo, além de Nereu Klosinsk, o comunicador Éverton Leoni, alguns assessores e e reduzindo – algumas à metade – a pena da maioria dos condenados e determinando o regime aberto ou semi aberto para o o cumprimento da sentença.

Como sempre acontece ao final de um julgamento, alguns choram outros ri. Justiça foi feito, no entanto.

O voto de Roosevelt Queiroz foi acompanhado pelos desembargadores Renato Mimessi e Eurico Montenegro (decano do Tribunal), os outros dois integrantes da 2ª Câmara.

Conforme demonstrou a defesa, Nereu Klosinski pagou com verba do próprio gabinete os honorários profissionais de auditores que levantaram a existência de problemas em contratos entre o Estado e empresas de vigilância. O esquema – que também ficou conhecido como “vigilância fantasma” – teria causado descontentamento em adversários políticos.

O advogado Hélio Vieira disse que essa decisão do Tribunal de Justiça vem para restabelecer a verdade e colocar um fim no pesadelo que tem atormentado o ex-deputado durante todo esse tempo, em que pairavam suspeitas perante à sociedade quanto à sua honestidade. “O ex-deputado Nereu Klosinski foi eleito e trabalhou pelos servidores públicos, especialmente pelos servidores da educação, tendo sido um dos melhores representantes que a categoria já teve no parlamento estadual. Agora, com a sua absolvição, fica a certeza de que realmente fez um mandato pautado na ética e na honestidade”, disse o advogado.

Nereu Klosinski, que foi eleito para a diretoria executiva do Sintero no cargo de Secretário de Aposentados e Assuntos Previdenciários, disse que justiça foi feita com a sua absolvição. “Só quem é acusado injustamente sabe a dor que sente quem trabalha pela sociedade a acaba sendo incriminado sem ter praticado nenhuma irregularidade”, disse o ex-deputado.