MONTEZUMA CRUZ

Essora ele já divia em casa.
A essa hora.

Foi essalente a viagem do papai.
Excelente.

Mia fia deixou os papel pra eu deixar no Enissiesse.
Para deixar no INSS

Esse menino só aqui escramuçando.
Esse menino não se aquieta.

Esse é qual ôinbu? Quatro de Janeiro Gunçalvedia.
Que ônibus é esse? É o Quatro de Janeiro, via Gonçalves Dias.

  *  *  *

Parte do meu futuro livro Ao meo Dia, no qual descrevo o jeito nortista e nordestino de falar no Distrito Federal e em Porto Velho. Anotei frases em minhas viagens de ônibus, metrô, nas ruas a pé, e na convivência com funcionários do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, onde trabalhei. Modificações ocorridas com o uso de cacófatos, fonemas, pleonasmos, verbos conjugados pela metade ou misturados.

A Guedes, um aviso de crédito

A Superintendência Estadual de Gestão de Pessoas (Segep) retificou notificação ao ex-governador do Território Federal de Rondônia, Humberto da Silva Guedes, publicada no Diário Oficial do Estado e no Diário da Amazônia.

Ex-governador Humberto Guedes

A primeira notificação publicada no dia 11 de maio foi fruto de um lapso. Ela convocava o ex-governador a procurar a Segep no prazo de 15 dias, “para tratar de assuntos de seu interesse”. No entanto, não houve intenção alguma de colocá-lo no plano comum, muito menos de maculá-lo conforme fez ver o diretor executivo da Segep em substituição, Giordani dos Santos Lima.

Quando li a primeira nota, estranhei a maneira como o governo estaria convocando a ex-autoridade responsável pela organização da base para a elevação do território a estado.

Giovani Lima explicou ter ficado sem efeito aquela notificação [nº 006/NCSR/SEGEP, publicada em 5 de maio]. Na verdade, a Segep quis comunicar ao ex-governador a respeito de uma diferença de crédito em favor dele, relativa à pensão especial constante nos autos do Processo Administrativo nº 01-2201.20246-00/2011. E o fez por meio de novo aviso, publicado em 16 de maio.

A superintendente Helena da Costa Bezerra também comentou comigo o respeito aos ex-governadores e, em relação a Guedes, lembrou que ao ser há pouco tempo recadastrado entre antigos servidores do Governo de Rondônia, ele brincara: “Eu estou vivo”.

Situações semelhantes ocorrem em diferentes instâncias do serviço público brasileiro. Ou seja, quando há dezenas ou centenas de notificações, editais e outros documentos, corre-se o risco de um ou outro confundir quem o manuseia. E em questão de minutos, levar leitores a outras interpretações, como foi o caso do coronel Guedes.

Este colunista desculpa-se com a Segep por constrangimentos decorrentes do comentário anterior.