PORTO VELHO – Durante os últimos quatro anos, o dinheiro da contribuição dos odontólogos de Rondônia ao Conselho da classe, o CRO, serviu para tudo, menos para implantar e melhorias e ações em defesa da categoria. A polícia Federal já vinha investigando o caso há algum tempo, com base em denúncias que apontavam uma verdadeira farra no pagamento de diárias a dirigentes do CRO.

Sede do CRO, no Caiari, no centro histórico de Porto Velho, foi invadido pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira

Na manhã desta terça-feira (12), a Delegacia de Combate à Corrupção (Delecor) da Polícia Federal deflagrou a Operação Diarista, visando apurar o desvio de recursos pertencentes ao Conselho Regional de Odontologia em Rondônia (CRO/RO).

As investigações tiveram início através de denúncia protocolada pela atual gestão do Conselho Regional de Odontologia após a identificação de diversas fraudes no pagamento de diárias fictícias aos dirigentes e saques indevidos pela gerente executiva da entidade, em valores que superaram R$ 1.500.000,00 ao longo dos últimos quatro anos.

Os recursos desviados pelos ex-dirigentes são oriundos das contribuições pagas pelos profissionais de classe vinculados ao próprio CRO/RO.

Somente no ano de 2018, o então presidente teria recebido cerca de 500 diárias, superando o número de dias do calendário, com prejuízo estimado em mais de R$ 350.000,00, fato este que foi também identificado nas análises dos anos anteriores.

Após as investigações realizadas pela Polícia Federal, a 3ª Vara da Justiça Federal de Porto Velho expediu sete mandados de busca e apreensão, a serem cumpridos nas cidades de Porto Velho e Cacoal, em Rondônia/RO, além do sequestro de bens dos investigados, visando o ressarcimento ao Conselho Regional de Odontologia e, ainda, a identificação do destino dos valores desviados.

Os investigados, ex-diretores do Conselho, responderão pelos crimes de peculato, associação criminosa e falsidade ideológica, com penas que, se somadas, podem chegar a 20 anos de reclusão.