PORTO VELHO – Os deputados Ezequiel Júnior (sem partido) e Anderson do Singeperon (PV) visitaram o povo migueleno, que reside no distrito de Porto Murtinho, em São Francisco do Guaporé e, durante reunião da Frente Parlamentar Permanente aos Povos Indígenas, ouviram reivindicações. Ao final, os índios pediram a construção de um poço artesiano na escola e a instalação de uma subestação de energia elétrica, para que as centrais de ar condicionado possam ser ligadas na instituição de ensino.

A reunião com o cacique Tanadi e com outras lideranças do povo migueleno aconteceu na escola indígena Íria dos Santos Reis, localizada ao lado do posto de saúde. Os deputados constataram que a construção é nova, bem cuidada, dispõe de computadores e centrais de ar condicionado. Um dos problemas considerados sérios é a água que abastece a instituição, retirada de um poço tipo amazonas.

Ezequiel Júnior abriu a reunião dizendo que moradores de todas as terras indígenas de Rondônia passam por sérios problemas, mas que não adianta querer resolver tudo de uma vez. “Vamos elencar duas prioridades e a frente parlamentar, em conjunto com os demais colegas da Assembleia Legislativa, vai trabalhar para que essas reivindicações sejam atendidas”, acrescentou.

Anderson do Singeperon disse que a quantidade de indígenas em Rondônia é muito grande e lembrou que etnias de Costa Marques também pediram uma reunião. “Como disse o deputado Ezequiel, não vamos resolver tudo, mas vamos lutar para melhorar as coisas nas aldeias”, especificou.

De acordo com o deputado Anderson, o ideal é que pelo menos uma parte do ICMS Ecológico recebido pelas prefeituras seja repassado para os índios em forma de benefícios. “É bom lembrar que os municípios só recebem esse dinheiro devido a áreas preservadas, e esses locais de preservação estão em terras indígenas”, citou.

Ezequiel acrescentou que 24 municípios de Rondônia receberam o ICMS Ecológico em 2016 e que os cinta-larga e os suruí já reivindicaram a apresentação de um projeto de lei determinando que as prefeituras apliquem parte dos recursos em benefícios dos indígenas.

O cacique Tanadi pediu inicialmente um poço artesiano para atender a escola. Ele contou que um exame realizado há três anos mostrou a presença de bactérias na água, que continua sendo utilizada pelos alunos. “Entendo que não vai ser possível resolver todos os nossos problemas, mas esse é o principal”, afirmou.

Ele contou que existia uma aldeia dos índios migueleno naquele lugar, que aos poucos começou a virar o distrito de Porto Murtinho. O local é asfaltado e as casas são de boa qualidade. O que ainda lembra que ali havia uma aldeia são algumas poucas áreas cobertas com palha.

Cristiane Cardoso, sobrinha do cacique Tanadi, disse que na cidade pouca gente conhece a vida dos índios. Ela contou que sofre discriminação, até mesmo no curso superior em Ji-Paraná. “Pensam que os índios andam nus e dizem que eu não sou índia. Eu tenho 30 anos, nasci e me criei aqui. Vi aos poucos esse lugar ficar melhor”, detalhou.

O indígena Darlei dos Santos pediu a instalação de Internet na escola e lembrou que a utilização dos computadores já existentes fica limitada. Ezequiel Júnior disse que essa reivindicação não deveria constar na lista de prioridades.

“Como é um problema pequeno, eu e o deputado Anderson podemos resolver através de nossos gabinetes mesmo. Já existe Internet aqui, então fica mais fácil. Vamos colocar como prioridade, além do poço, algo mais relevante”, acrescentou Ezequiel.

Assim, foi solicitada a instalação da subestação de energia elétrica. Outra reivindicação que os deputados Anderson e Ezequiel se comprometeram a tentar atender é a de um motorista para o ônibus que já foi disponibilizado pela Seduc.

Após a reunião, Anderson do Singeperon e Ezequiel Júnior conheceram melhor o distrito de Porto Murtinho, em companhia do cacique Tanadi e de outras lideranças indígenas. Também participam da frente parlamentar os deputados Dr. Neidson (PMN), Jesuíno Boabaid (PMN) e Lazinho da Fetagro (PT).