Sala de informática: primeiras lições

PORTO VELHO – Eles chegaram a pé, de ônibus, bicicleta e de carona. Caminharam pelo pátio, lancharam, conheceram coordenadores, palestrantes e entraram nas salas. O sonho de ingressar no mercado de trabalho abriu as portas para todos. Às 10h desta segunda-feira (3),  jovens e adultos moradores do Residencial Orgulho do Madeira espalharam-se pelo terreno da Paróquia São Tiago Maior (Bairro JK, zona leste de Porto Velho), onde participarão de 200 horas de diversos cursos básicos em abril.

Com a filha Emanoele no colo, Ana Paula Camargo prestou muito atenção nas explicações da costureira profissional Maria José de Oliveira. Está animada em se formar nessa profissão: “Roupa sempre vende, roupa na medida e encomendada, melhor ainda. Só preciso encontrar alguém que cuide dessa menina (o bebê de cinco meses) para não perder nada do curso”, ela disse.

Maria José, moradora na Cohab (zona sul), contou que já conhece algumas alunos do curso. Anteriormente ela já deu aulas na zona leste. Na apresentação das máquinas elétricas, ela falou em modelagem e transmitiu otimismo às mulheres.

Sua nova aluna Ana Paula ainda não concluiu o Ensino Médio, nunca costurou uma só peça de roupa na vida, mas demonstra boa vontade: “Eu aprendo rápido”.

Para todos os cursos, material e lanche estão incluídos. Na abertura a MP serviu sucos de acerola, cajá, caju, laranja, tamarindo, café, água mineral e sanduíches naturais.

Do boleto da conta ao currículo, hoje tudo é feito no computador. Foi este o primeiro tema da aula inaugural do curso de informática, o primeiro a começar nesta segunda-feira. “Perguntem à vontade, vamos acompanhar bem o desempenho de vocês”, disse a coordenadora do curso.

Antes do horário do almoço eles receberam as primeiras noções de gabinetes e hardwares, ligação elétrica e funcionamento de nobreaks.

O coordenador da equipe da empresa MP, Crisrober dos Santos,  que faz consultoria para a Secretaria Estadual da Assistência Social e Desenvolvimento (Seas), organizou o atendimento às famílias. Projetado para quatro mil unidades habitacionais, o Orgulho do Madeira já recebeu 1.680 famílias, restando 2.320, das quais 1.120 já tiveram endereços sorteados.

Segundo Cristober, a programação atende moradores da fase 1, cuja renda familiar alcançava até R$ 1,6 mil no ano passado, quando foram assentadas. Oito turmas com 25 alunos iniciam terça-feira (4) o aprendizado de cabeleireiro, corte e costura, auxiliar administrativo e de departamento pessoal, e informática.

Na sequência dos cursos, em maio próximo, eles terão aulas de design de sobrancelha, estética e maquiagem.

O coordenador de habitação da Seas, José Carlos Monteiro Gadelha lembrou que o projeto social destinado ao Orgulho do Madeira visa três objetivos: integrar as famílias, ensinar-lhes gestão patrimonial e garantir-lhes qualificação profissional.

“Os cursos foram escolhidos no censo de dezembro, quando se detectou que às vezes o sonho pessoal de cada um necessita apenas de um impulso e da oportunidade para consolidar experiências e criar negócios próprios”, disse.

A qualificação profissional dentro do Programa Minha Casa Minha Vida também contempla famílias dos residenciais Porto Madero I a V, Porto Bello I a IV e Porto Fino, todos eles sobn a coordenação da Secretaria Municipal de Habitação. Já os residenciais Cristal da Calama, na capital, Morar Melhor e Capelasso, ambos em Ji-Paraná, são promovidos pela SEAS.