PORTO VELHO – O Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) afirma que já começou a apurar as eventuais responsabilidades da morte da paciente Rosineide Basan, ocorrida na noite da última terça-feira (9), na Policlínica José Adelino, no Bairro Ulisses Guimarães em Porto Velho. A dona de casa procurou atendimento, mas sofreu um infarto e morreu na porta da unidade de saúde. Não havia médico no plantão e segundo a Prefeitura, o profissional apresentou atestado médico mas há informações de que ele estava atendendo em clínica particular.

Presidente do Cremero, Andrei Leonardo diz que a saúde em Porto Velho vai piorar. “É uma tragédia anunciada”, diz

Segundo Andrei Leonardo Freitas de Oliveira, presidente do Cremero, foram encaminhados ofícios para a direção da policlínica para que sejam disponibilizados a escala de plantão dos médicos e também o prontuário da paciente. “Temos que apurar os fatos. Já foi oficiado o diretor do José Adelino, que nos disponibilizou a escala, já abrimos uma sindicância 06/2018 para apurar todos os fatos, apurar o ocorrido, se teve falha do médico, se houve falha da gestão, porque como muitos devem saber, o José Adelino conta apenas com cinco médicos, e cinco médicos, com uma carga horária contratual de 20 horas semanais, não cobrem uma escala para ficar médico 24 horas por dia”, afirma Andrei Leonardo.

Ainda conforme o presidente do Conselho, a há dias em que não há previsão de médicos nas unidades de saúde durante a noite. “A escala é falha. É um número insuficiente de médicos onde era para ter médico 24 horas”, garante Andrei Leonardo prevendo que a tendência atual da saúde é piorar.

“No último dia 2 ocorreram mais de 1 mil fichas para serem atendidos na UPA Zona Sul e tinham apenas três médicos. Isso é humanamente impossível. Teve pessoas que chegaram 8 horas da manhã para serem atendidos as 7 horas da noite. Agora é culpa do médico? Tem três médicos apenas. O médico não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse é um problema de gestão. E a situação vai piorar porque chega essa época, vários médicos fazem provas de residência e vão tentar fazer suas especializações. Então, aquilo que tem pouco vai diminui mais ainda. É a catástrofe anunciada. E todo ano é a mesma coisa.

“A escala é falha. É um número insuficiente de médicos onde era para ter médico 24 horas”, garante Andrei Leonardo prevendo que a tendência atual da saúde é piorar. “É a catástrofe anunciada”

Não existe nenhuma UPA aqui em Porto Velho que está com seu quadro completo de médicos, que seriam seis médicos. Para resolver [o problema de falta de profissionais] é só contratar médicos”, anuncia.

A Prefeitura informou em nota, na quarta-feira (10), que o secretário Orlando Ramires, da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), determinou a instauração de processo administrativo para apurar eventual responsabilidade de abandono do plantão médico, ocorrido na Unidade de Pronto Atendimento José Adelino, ocorrido na terça-feira (9), no período noturno entre as 19 horas e 1 hora, período em que a dona de casa Rosineide Basan chegou a unidade com quadro de infarto que a levou ao falecimento.