Moisés Souza, ex-policial do COE

VILHENA –  A Polícia Civil de Juína divulgou esta semana que houve participação de um ex-policial de Rondônia no massacre de nove pessoas na Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza [noroeste mato-grossense], dia 19 de abril. As informações são da Folha do Sul On Line (Vilhena) e RD News (Cuiabá).

De acordo com informações do delegado regional de Juína, José Carlos de Almeida Júnior, o ex-policial militar Moisés Ferreira de Souza, conhecido como Moisés do COE (Comando de Operações Especiais), era responsável por treinar os jagunços que chegaram com os rostos cobertos e executaram as vítimas.

Ele está foragido de uma ação penal que responde junto com Ronaldo Dalmoneck pelo crime de roubo. A Polícia Civil suspeita que ele tenha participação nos assassinatos em Colniza. Já Ronaldo é o empresário do ramo de madeira e seria o mandante do crime.

Esses mesmos matadores de aluguel também seriam assaltantes de bancos, tendo no currículo criminal diversos crimes em Rondônia, além de prestarem serviços como pistoleiros no Amazonas e Mato Grosso.

Morreram cruelmente: Sebastião Ferreira de Souza, 57, Izaul Brito dos Santos, 50, Ezequias Santos de Oliveira, 26, Samuel Antônio da Cunha, 23, Francisco Chaves da Silva, 56, Aldo Aparecido Carlini, 50, Edson Alves Antunes, 32, Valmir Rangeu do Nascimento, 55, e Fábio Rodrigues dos Santos, de 37 anos.

“Os jagunços atendiam conforme a demanda repassada por quem contratava os serviços. E nós só conseguimos chegar até eles por conta da tragédia,  já que antes havia denúncias, mas bem distante porque a população temia pela segurança”, disse o delegado Almeida Júnior.
Pedro Nogueira e Paulo, tio e sobrinho

Segundo ele, o inquérito policial ainda terá desdobramentos, mas as investigações iniciais apontam que o conflito começou porque no começo da gleba foi montada uma Cooperativa Agrícola Mista de Produção, denominada Roosevelt no Distrito de Guatá, em Colniza, e lá o antigo presidente vendeu 42 mil hectares de terras consideradas irregulares. Atualmente, 15 mil hectares estão ocupados pelos trabalhadores rurais.

“No meio dessa área havia muita madeira. E, com o tempo ela acabou mudando de nome para Taquaruçu. Só que o atual presidente começou a reivindicar junto com os cooperados a área que foi vendida. E, por conta disso as testemunhas contaram que começaram as discussões, porém nós não sabemos valores porque não tivemos acesso aos contratos”, detalhou o policial.

Pedro Ramos Nogueira, o Doca, e Paulo Neves Nogueira, tio e sobrinho, teriam, junto com mais três homens, comandado os assassinatos com espingardas calibre 12, enxadas e facões na chacina.

Os nomes foram divulgados na tarde desta terça (2), durante entrevista coletiva na sede da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Ambos estão presos sob força de mandados de prisão preventiva por homicídio qualificado e associação criminosa. Entre os envolvidos, seguem foragidos outros dois suspeitos de serem executores, além do provável mandante, sócio de uma madeireira da região.

Titular da Sesp, Rogers Jarbas também confirma que o massacre aconteceu na região pertencente a uma área de 42 mil hectares cedida a uma associação de pequenos produtores pelo Intermat, batizada de Assentamento Roosevelt. Não era mais, portanto, propriedade do Estado.

“Acontece que essa área foi vendida pelo presidente dessa associação para o presidente de outra, o Assentamento Guariba. Foi a partir daí que começaram os conflitos”, explica Jarbas.

Dos 42 mil hectares iniciais, somente 14 mil continuam sob a condição de área de assentados, pessoas das associações. “E somente três têm títulos de propriedade”. Rogers Jarbas, secretário estadual de segurança pública de Mato Grosso.

Foi esse o motivo de, mesmo sabendo da disputa por terra na área, a Sesp não receber nenhuma denúncia oficial. Não até o momento em que ocorreram as chacinas. “É uma realidade de várias regiões do Estado.

Cem mil famílias estão nesse tipo de situação. A força-tarefa também visa isso, emitir títulos de posse de terra, porque logo que isso acontece diminui muito a disputa, pois alguém passa a ser dono da área”. O secretário classifica a chacina como tragédia social.

Imbróglio

Pensava-se que a área pertencia ao Estado ou à União. Diferentemente do que se sabia antes também, a área é cobiçada por causa da madeira e da potencial existência de ouro. “Alguns dos mortos trabalhavam com a derrubada ilegal de madeira para uma madeireira, mas vários outros plantavam na região, principalmente arroz e milho”, revela o delegado regional de Colniza, José Carlos de Almeida Junior. Ele fez questão de lamentar as mortes.

Em 11 anos, 14 mortos

Não é descartada, ainda, a possibilidade de serem encontradas outras vítimas da chacina ocorrida há duas semanas, na tarde de uma quarta (19 de abril).

A Sesp montou uma equipe, composta por mais de 30 profissionais para atuar na região, conhecida pela série de conflitos agrários que resultaram na morte de 14 pessoas em um período de 11 anos. Em 2006, cinco foram executados e outros 10 torturados na mesma localidade.

LEIA TAMBÉM
A chacina de Colniza