PORTO VELHO – Abandonada pelo poder público, sendo engolida pelo rio Madeira e sem nenhuma perspectiva de melhora, a Estrada do Belmont, no bairro Nacional, área Norte de Porto Velho, concentra um dos mais importantes polos empresariais do Estado, com arrecadação que beira os R$ 80 milhões/mês, só em ICMS. Quase R$ 1 bilhão por ano.

Interdições da Estrada do Belmont já viraram fato comum e geram prejuízos às empresas instaladas na região.

Acontece que, devido a falta de manutenção da via, para evitar prejuízos e paralisação dos negócios, as empresas instaladas na localidade ameaçam buscar segurança na região de Humaitá/AM, o que representará um baque na economia do Estado, já que o imposto pago será transferido para o estado do Amazonas.

A possível migração dessas empresas, virtualmente deixou o Governo do Estado em alerta, mas nada foi feito ainda para melhorar a situação da via. Fato que tem irritado inclusive os moradores que, na última segunda-feira (19), interditaram a estrada no perímetro que dá acesso às empresas. No total, 56 carretas foram impedidas de acessar os pátios das empresas.

Na manhã desta terça-feira (20), a Comissão de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Chiquinho da Emater (PSB), apresentou preocupação com a precariedade da Estrada do Belmont. O parlamentar confirmou que as empresas de combustível estão cogitando mudar para o município de Humaitá. “Vamos convidar os empresários e os órgãos responsáveis para participarem da comissão da próxima terça-feira (27) com a finalidade de encontrar uma solução imediata”, Informou o deputado.

Governo

Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagens, Infraestrutura e Serviços Públicos (DER) disse que a estrada do Belmont está sob responsabilidade da prefeitura de Porto Velho, mas que, como parceiro, realizou uma elevação de 15 metros no local, com pedras de alta resistência.

A prefeitura, por sua vez, disse que não há previsão para asfaltamento da estrada do Belmont. Segundo o Município, um estudo técnico apontou a inviabilidade do projeto. Como solução a prefeitura vai propor aos moradores a passagem de caminhões pipa no local durante o período de seca, para evitar a poeira.

O trecho sem asfalto é grande. No inverno os moradores e condutores convivem com o problema das lamas e atoleiros. No verão a poeira toma conta do lugar.

O fato que chama a atenção é que essa estrada é importantíssima para a economia de Rondônia, uma vez que é por lá que chegam os combustíveis, um dos produtores que mais geram arrecadação de impostos no estado. Apesar do grande volume de negócios persiste o descaso com empresários, caminhoneiros e moradores que tem nessa via o único acesso à essa região portuária.