Produtores protestaram na BR-364 contra a importação de café do Vietnã, agora desautorizada /Foto Canal Rural

PORTO VELHO – O Governo Federal cancelou autorização para a importação de café conilon do Vietnã, medida considerada positiva pelo Governo de Rondônia. Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deverá fechar a safra 2016/2017 com recorde na produção, podendo alcançar quase dois milhões de sacas. 

Rondônia desponta entre os grandes produtores de café do País. Seu desempenho produtivo ultrapassou 22% em relação à safra anterior, computando-se a mesma área cultivada, que totaliza 87,6 mil hectares.

Duas semanas atrás, na região de Rolim de Moura (Zona da Mata), produtores protestaram contra o governo, quando era iminente a importação de café vietnamita.

De uns tempos para cá, o governo incentiva a cultura do grão, com investimentos na reorganização da cadeia produtiva. Entre as ações, destacam-se a restruturação da Câmara Setorial do Café; a certificação de viveiros de mudas de café clonal; a disseminação do uso de tecnologias de produção por meio de unidades modelos e a aquisição e distribuição de calcário para correção de solo entre os produtores da agricultura familiar.

A produção de café no estado é positiva. As lavouras se expandem e ganham produtividade e qualidade, saindo de 9,31 sacas por hectares em 2011 e chegando às 22 sacas na mais recente estimativa da Conab, em janeiro de 2017.

O café estadual foi comprovado durante o primeiro Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café Canéfora do Estado de Rondônia, em 2016. Nesse cenário crescente de produção, Rondônia investe na aquisição de mudas clonais pelo Programa Plante Mais, que visa o fortalecimento da cultura na agricultura familiar.

Agamenon Suruí manuseia o café conilon colhido no interior do Parque Indígena do Aripuanã /Foto Montezuma Cruz

Até o final de 2017, o governo do estado entregará mais de três milhões de mudas de café clonal.

O avanço da cultura tem se motivado pelas ações de incentivo e os bons preços recebidos nas sacas. Segundo técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, importar poderia resultar numa crise séria no setor, pois afetaria diretamente a rentabilidade dos produtores, provocando o desemprego de trabalhadores e criando um transtorno socioeconômico com a perda de arrecadação dos municípios produtores.