Carlos Araújo

PORTO VELHO – A entrevista da semana de hoje traz a segunda parte da conversa com o engenheiro agrônomo, ex-secretário de Planejamento, ex-deputado estadual e quase governador de Rondônia na transição de 1985, Wiliam Curi. Nesta parte final da entrevista, Curi fala sobre os projetos que elaborou para o desenvolvimento do Estado e que chegou a conseguir financiamento de um bilhão de dólares no programa Polonoroeste e das intrigas políticos.

Em algumas vezes, segundo ele, a inveja, a intriga e o ciúme de algumas figuras políticas pela paternidade dos projetos chegou a prejudicar Rondônia.

No final da década de 1970, o jovem agrônomo William Curi repousa após o almoço em uma repartição pública em Ouro Preto do Oeste

Curi diz que seu mandato como deputado estadual, poderia ter apresentado resultados melhores, mas todos os projetos que conseguia aprovar, eram vetados pelo então governador Osvaldo Piana, que depois encaminhava novo projeto como o mesmo teor, só que como se fosse de sua própria autoria. “E tínhamos que aprovar, pois era o que queríamos”, acentua.

Curi destaca, no entanto, que o Governo Piana foi muito bem conduzido considerando a situação econômica-financeira daquela época

Apesar do enorme trabalho realizado em favor do desenvolvimento do nascituro estado de Rondônia, William Curi confessa que, após o Governo do Teixeirão, foi caçado como boi bravo na invernada. “Inventaram coisas sobre minha administração na Codaron, chegaram a criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que não deu em nada, porque minhas contas estavam todas aprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU)”.

“Chegaram a falar em me colocar na cadeia, como se eu fosse um bandido”, desabafa.

Confira a entrevista ao jornalista Carlos Araújo:

Expressaorondonia Qual foi a sua contribuição como legislador nos anos 90 para o Estado de Rondônia? Você chegou a trabalhar alguma legislação específica para o setor agrário? Qual foi sua atenção principal no mandato de deputado estadual?

Curi: Foi medíocre. Nós pegamos o PDT nas mãos e chegamos a 7 deputados estaduais. Mas o que produzíamos, o Piana (governador Osvaldo,) vetava e entrava com o mesmo conteúdo, mudando apenas algumas vírgulas e voltava para ser aprovado. E tínhamos que aprovar pois era o que queríamos. Nós fizemos um programa, eu fiz o trabalho de consultar, viajei para ver. Uma lei de incentivo fiscal na agricultura, na microempresa e média empresa. Um excelente projeto. Mas ele vetou e o Nilson Campos (que também era um grande cabeça, privilegiado) entrou em ação. Mas nessa linha, ser contrário ao governo, você não faz nada. O jogo era muito bruto.

Expressaorondonia Já era bruto na época?

Curi: Nossa mãe! Eu não sou nenhum santo não, mas eu decidi largar a Assembleia Legislativa para salvar minha alma.

Expressaorondonia Essa convivência, essa decepção pela passagem na ALE contribuiu para o seu afastamento da política?

Curi: Foi totalmente uma decepção pra mim. Foi terrível!

ExpressaorondoniaFoi nessa ocasião que o senhor chegou a ser secretário no governo Piana?

Curi: Fui secretário de Planejamento. Pedi afastamento do cargo de deputado e fui ser secretário de Planejamento.

Expressaorondonia – No governo do Piana teve o projeto do linhão (extensão da linha de energia da hidrelétrica de Samuel para mais de 15 municípios) que foi o grande marco dele. Qual foi sua participação na consecução do empréstimo para bancar o linhão? Você foi aos EUA, participou da consultoria?

Curi: Não, eu não participei desse trabalho. Na época, o Banco Mundial me procurou para que o banco financiasse, juntamente com o linhão, a distribuição para todo o Estado. Isso gerou ciúmes. O pessoal do BNDES – um coronel já estava com um cheque que ele ia dar para Rondônia para retomar a Samuel. Eu poderia ter feito mais coisas se tivesse tido mais autonomia e se a vaidade não nos traísse.

Expressaorondonia Curi, como foi a estória no final da velha república, quando se criou a Aliança Democrática e você chegou a ser cotado para ser governador na transição, com a saída do Teixeirão. Como foi isso?

Curi: Cheguei a ser avaliado em algumas alternativas. Eu nunca comentei isso. Em 1982 eu estava em dúvida se saía candidato a alguma coisa. Mas o pessoal estava preocupado porque eu arrastaria 7 a 8 candidatos junto comigo. Logo em seguida, fizemos uma viagem a Brasília. Eu bem indeciso ainda, fomos numa reunião com o Presidente da época, Figueiredo, (João Batista de) e o presidente se manifestou dizendo “Você não vai sair candidato dessa vez. Precisamos eleger 3 senadores e tantos deputados federais e se você ficar no respaldo dessa intenção, você vai ser o próximo governador”. Eu jamais acreditei nisso. Voltei, retirei minha candidatura. Não saí candidato.

Expressaorondonia Você não acha que o Figueiredo foi uma espécie de porta voz de um grupo que não lhe queria candidato?

Curi: Foi, claro, a pedido de alguém.

Expressaorondonia Havia um grupo que tinha medo de você como candidato?

Curi: É, infelizmente havia.

ExpressaorondoniaEles não tinham coragem de falar a você pelo prestígio, pelo poder e jogaram na voz do Figueiredo. Com medo do senhor trazer a maioria dos deputados. Correto?

Curi: Eu nunca tive pretensão de ser governador. Não acreditei em nada que me disseram que eu seria governador. Eu conhecia o jogo, os bastidores. Agora, eu falei no início da negociação do Polonoroeste, no Brasil, a parte brasileira, através da equipe do Delfin, que nós propusemos a fazer uma palestra para apresentar devido à proposta estar no valor de 1 bilhão de dólares para Rondônia. E o Nilson ainda brincou dizendo que o governador e eu éramos loucos. Marcamos uma reunião com a equipe do Delfin, inclusive com o pessoal do Ipea. Tinham umas 150 pessoas no auditório. Eu falaria uma hora. O governador faria uma apresentação de 15 minutos. Nós ganhamos o governo federal com a palestra que durou toda uma manhã.

ExpressaorondoniaVamos falar dos Nuares (Núcleo Urbano de Apoio Rural – que depois viria a se transformar em cidades como Nova União, Mirante da Serra, Teixeirópolis e outros) que está dentro do contexto do Polonoroeste, formado por aquelas populações excedentes, que foram chegando e ocupando as linhas de penetração. Você tem alguma coisa para falar sobre eles? A importância que eles tiveram para a nova Rondônia.

Curi: Eles desenharam Rondônia e distribuíram corretamente a população do Estado. Por exemplo, o núcleo ficava a 40 km da BR-364 e de um outro núcleo. Não tem muito jeito de explicar. Distribuíram a população no que depois virou cidades, transformadas em municípios e ficamos com uma distribuição excelente e desconcentrada no Estado. Foi novidade em termos de planejamento e tudo organizado. Mas em cada segmento de estrada tinha uma associação, digamos assim, com posto médico e escola multi-graduada. Na área do núcleo já tinha médico, escola de segundo grau, com sistema de armazenagem e todos os núcleos conseguiram isso. Haviam umas 25, 30 estruturas dentro do núcleo. E nas cidades da BR-364, tinham as Cooperativas. A mesma coisa a saúde. Posto médico, centro médico e Unidade mista de saúde com 20 leitos. Tudo planejado e organizado. Quando entrou a política, os prefeitos não quiseram obedecer determinações da ocupação do núcleo e aquela eleição que era dos produtores para eleger quem seria o gerente ou prefeito, os prefeitos colocaram quem bem queriam e fizeram algumas transformações. Não jogaram fora, ao contrário, a coisa somou. Tudo que foi feito pelo Polonoroeste se mantém. Fizeram somar. Desde a BR-364, as estradas vicinais que muitas já se transformaram totalmente, as ligações por asfalto dos núcleos até a BR. Tudo foi preservado. Tudo através dos mutirões e que o Santana (Jerônimo, então deputado federal e depois governador) chamava de “mentirão” para desvalorizar o programa. Se o preço de uma obra era 100, fazíamos por 20 no sistema de mutirão. Antes de fazermos uma estrada, reuníamos todos os produtores da área e era solicitado para que eles fizessem o desmatamento lateral de 40 metros cada lado. Depois nós entrávamos com as estradas. Todas as pontes pequenas feitas pelos produtores. As pontes maiores, dávamos tratores com guinchos para carregarem as toras. As pontes grandes, nós mesmos fazíamos. De concreto ou de madeira. Foi uma revolução no campo, o que aumentou as áreas plantadas de cacau, seringueira, café, etc.

Expressaorondonia Em sua opinião, o estado foi prejudicado ao abandonar culturas como o cacau, a seringa, que poderiam estar somando com a agropecuária?

Curi: Lamentável essas questões. Mas não tem nada a ver com a Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). Chegou uma doença (a vassoura-de-bruxa) que destruiu o nosso cacaueiro. E então o produtor que tinha uns 200 hectares, ele só podia trabalhar com 2 a 3 hectares e não mais, para poder conviver com essa doença. A mesma coisa é com a seringueira. O programa deteriorou, foi uma lástima.

Expressaorondonia Nos governos de transição, você chegou a colaborar com algum deles depois do Teixeirão?

Curi: Depois do Teixeirão fui perseguido como um boi bravo que estava solto no pasto. Pegaram toda a documentação da Codaron, fizeram fotografias, fizeram falsas denúncias. Fizeram uma CPI e queriam até me colocar na cadeia. E eles sequer sabiam que minhas contas eram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União. Podia dar problema para os outros que vieram, e os outros não aguentaram. Ninguém aguentava a Codaron, me desculpe a falta de modéstia. Tinha que ser eu ali na frente.

Expressaorondonia Precisavam de alguém com o teu prestígio, a tua influência, não é?

Curi: Eu consegui fazer de tudo um pouco. Na ‘cara de pau’, chegava nos ministros, marcava audiência, chegava o governador, levava 10, 15 projetinhos prontos, porque a Secretaria de Planejamento não mandava quase nada e quando faziam, era para levar o governador para a inauguração de uma escolinha da linha. Eu deixava projeto grande, aprovavam todos. E a amizade que formei no segundo time, no ministério do Planejamento e da Fazenda, foi muito positiva.

Expressaorondonia E quando a Codaron acabou? No governo do Jerônimo?

Curi: Acabou no último ano de governo do Teixeirão. Outras duas pessoas me substituíram, mas não deu certo e acabaram. Não tinha um líder para buscar recursos.

Expressaorondonia Mesmo afastado da vida política, você ainda tem muita influência e muita gente gostaria de ouvi-lo nos dias atuais. Como se deu a indicação do seu filho, que se tornou o conselheiro mais novo do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia?

Curi – Meu filho fez o concurso do TCE (para a Procuradoria de Contas) e passou brilhantemente. Surgiu a vaga (de Conselheiro) e sugeri que ele aguardasse um pouco mais por ser novo. Mas, um deputado estadual, muito meu amigo, disse que iria trabalhar pelo meu filho. Ele trabalhou. Eu não quis me envolver e deu certo.

Curi com a esposa, Rosa, e os filhos Paulo Curi Neto (Próximo presidente do Tribunal de Contas de Rondônia), Juliana, Melissa e Isadora

Expressaorondonia Não teve participação política sua?

Curi: Não. Só com esse amigo que me procurou. E sou imensamente grato a ele.

Expressaorondonia Seu filho foi na cota do Tribunal, da ALE ou do governador?

Curi: Acho que foi na cota da ALE (a vaga é de indicação do MP de Contas, do qual Paulo Curi era parte). Agora veja o que é aquele caboco. Ele é fera demais.

Expressaorondonia Se fosse fazer uma comparação de Rondônia nos dias atuais, na parte do agronegócio, diria que o projeto da Codaron serviu de base para a atualidade?

Curi: Claro, a Codaron estruturou o Estado para o que veio até depois dela, a agropecuária, a agricultura.

Expressaorondonia Essa pujança, a base vem de lá?

Curi – Sim, sem dúvida alguma. E tem uma coisa que eu acho lamentável e precisa ser ressaltado. Somos o único Estado que tem a lei do zoneamento sócio-econômico-ecológico. Foi feito no Mato Grosso também, mas não transformaram em lei. Somos exemplo para o Brasil e o mundo, só que não sabemos mostrar isso. Não se fiscaliza as áreas de preservação e, quando isso é feito, é de modo geral. Preservação ambiental impacta exploração através de manejo sustentável, área indígena, reservas e etc. O governo precisa segurar isso, é um grande capital. Somos o único Estado que tem o que mostrar. Não estou falando nem do fogo, pois queima-se muita pastagem. Então, eu fiz uma sugestão e enviei para o governador, mas nunca recebi resposta. Sugeri a montagem de um grupo de avaliação de todas as reservas no Estado e resolver isso aí. Se uma área “x” está devidamente ocupada e não tem mais jeito, negocia com o Incra. Mas não deixar o quantitativo ser menor que o aprovado em Lei pelo zoneamento. O governador poderia nadar de braçada nessa causa. Agora, não fiscaliza, deixa solto.

Expressaorondonia – Mas, as reservas, os parques, as áreas de manejo estão sendo invadidas…

Curi: Mas tem solução. Tem que investigar e não deixar que invadam esses lugares. E tem um fazendeiro que derruba cerca de 600 alqueires por ano. Será que a fiscalização não vê?

Expressaorondonia Olhando para trás, onde Rondônia errou?

Curi: Eu não acho necessariamente que Rondônia errou. As coisas aconteceram muito espontaneamente aqui. O Incra precisou arrumar lote para o pessoal que veio embora para cá. Acredito que as questões de saúde e educação tinham de ter sido melhor planejadas e estão a reboque, deveriam ter se desenvolvido juntamente com o crescimento do Estado.

Expressaorondonia – Rondônia aposta suas fichas no agronegócio embora a comercialização ainda seja em produtos “in natura”. Na sua opinião, o que deve ser feito para melhorar, agregar? |

Curi: Eu já vi propostas de campanha de industrialização. Não é bem assim, cada produto tem sua limitação de negócio, de exportação ou consumo interno. Por exemplo, “vamos encher de indústria de óleo de soja.”No Brasil não tem mercado para isso e exportamos pouco. O comércio interno está ocupado. Mas, de repente, se consegue uma indústria grande de beneficiamento de soja em Rondônia e vai ter o subproduto para alimentação animal. Nós temos áreas vazias, necessárias para serem preenchidas. Por exemplo, indústria de álcool, tinha que ter, temos comércio para abastecer Rondônia, Acre e até Amazonas, indústria de açúcar, trabalhar para negociar com o Incentivo Fiscal, com propostas boas para ver se traz uma indústria de café solúvel, as fábricas de ração, etc. Nós temos produtos aqui em Rondônia, você pode fabricar para bovino sem problema nenhum. O peixe nativo hoje está tendendo a se acabar, o preço da ração inviabiliza totalmente. Tem que ter uma indústria. Precisa negociar com algum frigorifico para ele fazer farinha de osso, pois é a base da proteína da indústria de peixe. Tem que ter um grupo cabeça e com determinação correta. Com definição clara de incentivo, fazendo ponte com os bancos, facilitando financiamento, buscando o empreendedor para essas áreas que têm um vazio dentro do Estado.  Agora, não pense que vão arroz, o feijão… O milho consome tudo. A soja consome tudo e vai para a exportação e vai continuar indo, mas pode ficar um pouco aqui em Rondônia ficando um pouco para óleo como para ração animal.

Expressaorondonia Como fazer isso se dois setores, como o álcool e o açúcar, são demonizados por determinados segmentos da sociedade e que estariam proibidos de atuar em Rondônia?

Curi:  Não estão proibidos, mas são demonizados no Brasil, pois há uma área muito grande de cana no Brasil, mas Rondônia tem uma situação diferenciada. Pode-se negociar com o Banco demonstrando que não temos nenhum pé de cana e a importância do produto para a região. Mas para cada projeto desse, tem um problema.

Expressaorondonia – Hoje, se vende Rondônia, como um enorme potencial para negócios, inclusive pela facilidade de um hub logístico devido a hidrovia e a rodovia – ambas com suas limitações, necessitando de melhorias -, fala-se na construção de uma ferrovia incialmente de Sapezal- MT a Porto Velho e a história com a Transoceânica. Você contempla, com o seu ponto de vista e conhecedor de Rondônia há tanto tempo, que o Estado tem mesmo esse potencial todo de logística para negócio?

Curi: Eu acredito que é uma tendência natural que essas coisas ocorram. Eu não entendo que uma ferrovia saia antes de uma privatização e duplicação da BR-364.  Seria um grande erro. A saída ao Pacífico vai certamente ocorrer com maior profundidade pelo Mato Grosso, onde praticamente já existe e já passamos por ela. Mas pode ser viabilizada com mais curto tempo. Nossas saídas pelo Acre, Peru, Bolívia… Vai acontecer também. É uma tendência natural.

Expressaorondonia – Você traiu o Teixeirão? Foi fofoca da imprensa? Por que criaram essa imagem?

Curi: Jamais. A pressão sobre mim não era só política. Eu trabalhava com muito dinheiro e vivia no Ministério do Planejamento e Fazenda. Tinham empresas que queriam abocanhar essa coisa. Ao invés de fazer uma licitação para fazer 3 mil km de estrada, eu fracionava em lotes para trabalhar 15, 30 empresas do Estado para que o dinheiro ficasse em Rondônia. Então, somaram-se as grandes empresas e a pressão política em cima e até que venceram. Fiz um documento alegando que não deveria criar o Estado naquele momento, pois tínhamos recurso suficiente para trabalhar por mais 4 anos se não tivéssemos esse puxa e encolhe da classe política.

 

Ex-governador Jorge Teixeira (c) com Chiquilito Erse (em pé) e o prefeito Sebastião Valadares, em Porto Velho (d)

Expressaorondonia – Quarenta anos depois, você acha que estava certo de não querer naquela época a emancipação de Rondônia?

Curi: Eu estava e estou absolutamente certo, tenho plena convicção disso. E eu escrevi exatamente o que iria acontecer, até a eleição do Jerônimo Santana.

Expressaorondonia – Havia um interesse do governo federal de criar o Estado por causa de 3 senadores. Você não acha que o Teixeirão não tinha compromisso político de criar naquela época

Curi: Eu creio que sim. Coloquei isso para ele e fui liberado para trabalhar para não sair o Estado, mas em sigilo. Nisso, passei 15 dias trabalhando em Brasília, costurando no poder executivo.

ExpressaorondoniaVocês continuaram amigos?

Curi: Passei um tempo chateado, achei que ele não deveria ter se curvado a fazer tais coisas. Mas me colocando no lugar dele, talvez eu faria o mesmo. Pois por trás de grandes empresas, haviam pessoas muito poderosas.

Expressaorondonia Com o conhecimento que você tem, você se sente deslocado, desprestigiado na cena de Rondônia?

Curi: Eu poderia ajudar em mais alguma coisa, mas chegou meu tempo, o cabelo está branco. Já estou com 70 anos.

Expressaorondonia – Em sua opinião, o que o “Cristo” da década de 1960 poderia dizer aos jovens de 2010, 2020?

Curi: As épocas são completamente diferentes e a rapaziada de hoje passa um aperto danado com emprego, estudos e peço a Deus que encontrem o caminho. Que os desempregados sejam reintegrados.

ExpressaorondoniaO Cristo da década de 70 que chegou por aqui tinha ligação com aquele movimento hippie da década de 60,70?

Curi: Sim.

Expressaorondonia – Você, Miguel de Souza, Paulo Saldanha, Luiz Carlos Menezes, Bianco, Canuto e alguns outros nomes formariam um Conselho de Estado, como sábios de Sião, onde recorreriam nos momentos de crise, dificuldade. Se fosse proposto, você aceitaria fazer parte juntamente com os nomes que citei?

Curi: Claro, com certeza.

Expressaorondonia O Estado precisaria ter uma instituição desse nível?

Curi: Acredito que sim.

Expressaorondonia Em nome do Expressaorondonia, agradecemos por nos receber em sua casa. É uma honra entrevistá-lo. Você é um cara que fez história, é parte da história de Rondônia.

Curi: Eu tenho dificuldade em dar entrevista e até evito. Mas por se tratar de vocês (jornalista Carlos Araújo e o historiador Francisco Matias), facilitou minha decisão. Agradeço a oportunidade e ainda sou um sonhador em relação ao Estado. Acredito muito na potencialidade daqui. Mas precisamos ter chefe, gente competente para mandar e executar um grande trabalho. Espero que o governador seja capaz de executar um grande trabalho. Obrigado.

Entrevista a Carlos Araújo e Francisco Matias

Revisão: Eudes Lustosa e Lúcio Albuquerque

Decupagem: Hilda Beatriz

NOTA DO ENTREVISTADO

A editoria do www.expressaorondonia.com.br acrescenta à entrevista com o engenheiro agrônomo aposentado William José Curi, algumas observações do entrevistado para repor alguns fatos que, por algum motivo, pode ter escapado à percepção do entrevistador.

Confira:

Algumas observações pertinentes à minha entrevista:

1- o Planafloro foi um programa criado no governo Piana. Na época, eu era deputado estadual e fui convidado por ele para ser o Secretário de Planejamento e Coordenador do Planafloro. Quero destacar que o governo Piana foi muito bem conduzido considerando a situação econômica-financeira daquela época.

2- Dei continuidade como coordenador do Planafloro no governo Bianco.

3- Ao longo da minha vida profissional exerci ainda o cargo de presidente da Emdur, na administração Chiquilito Erse, e superintendente da Federação das Indústria de Rondônia (Fiero).

Os governos Piana e Bianco deixaram um grande legado à Rondônia que foi a criação da Lei de Zoneamento Sócio-Econômico- Ecológico do estado.

William José Curi