MONTEZUMA CRUZ

A que horas Lurdinha ganhou criança?  – Ao meo dia.
Ao meio-dia.

A escola de Samambaia é boa, lá aprentudo!
Lá se aprende tudo.

Aisso patrão chegou.

Nisso, o patrão chegou.

Aí, butaro a Vanilda no jogo.
Aí, Vanilda entrou no jogo.

Ah! eu tô amurrinhada de febre.
Eu estou com a quentura da febre.

Ele tá amuadinho.
Amuado, decaído, doente.

Quié? Tô te ouvindo. Tô no alevadô.
O que foi? Estou lhe ouvindo, estou  no elevador.

[Parte do meu futuro livro Ao meo Dia, no qual descrevo o jeito nortista e nordestino de falar.  Captei ainda o linguajar do cotidiano de Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), capitais que alimentam miscelânea de sotaques, destacando-se o modo de falar desta parte do grande norte brasileiro e o dos migrantes nordestinos.
Adicionei-lhes um pouco do falar paraibano, pernambucano, natalense, piauiense, cearense, fluentes em todos os quadrantes do Distrito Federal, onde morei dez anos e ouvi a maior parte das conversas que me forneceram matéria-prima.
Eles ditam regras, com cacófatos, pleonasmos, verbos conjugados pela metade ou misturados e palavras às vezes alteradas].

Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.