Hiran Gallo

No próximo dia 31 (quarta-feira) será concluído um ciclo de estímulo e defesa do aleitamento materno que tomou conta do País. O chamado Agosto Dourado, criado por meio da Lei nº 13.435/2017, foi instituído como mecanismo para intensificar ações envolvendo a população com o intuito de conscientizá-la e esclarecê-la sobre a importância da amamentação.

No entanto, diante de tamanho desafio ouso dizer que um mês apenas é pouco e conclamo todos a continuarem a manifestar seu apoio a essa prática necessária, que traz saúde para mulheres e bebês.

Em mais de três décadas atuando como médico, posso afirmar que só há vantagens no aleitamento materno. Uma das mais importantes é seu impacto positivo na diminuição da mortalidade de crianças. Estimativas recentes sugerem que a amamentação, se fosse ampliada para níveis universais, poderia prevenir 12% das mortes de crianças menores de cinco anos de idade a cada ano, ou cerca de 820 mil mortes em países de média e baixa renda.    

Além disso, esse ato promove uma interação profunda entre mãe e filho; ajuda no desenvolvimento motor e emocional da criança; faz o útero da mãe voltar mais rápido ao tamanho natural; diminui o risco de hemorragia pós-parto e, consequentemente, de anemia na mãe; ajuda a mulher a voltar mais rapidamente ao peso que tinha antes da gestação; e diminui o risco de câncer de mama e de ovário.

Mãe amamenta no Hospital de Base Ary Pinheiro/Foto Daiane Mendonça
O leite materno é um alimento completo e ideal para o bebê, pois contém todos os nutrientes em quantidades adequadas. De forma ideal, o aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses de vida.

Isso significa que, até completar essa idade, o bebê deve receber somente o leite materno, não devendo lhe ser oferecida qualquer outro tipo de comida ou bebida, nem mesmo água ou chá. Após esse período ele deve continuar, pelo menos até os dois anos de idade, em associação com a alimentação complementar.

Contra essas verdades absolutas, há mitos que precisam ser esclarecidos, como a crença de que o leite de vaca é mais completo em nutrientes que o leite materno ou que algumas mulheres produzem pouco leite e, por isso, ele não deve ser oferecido para o bebê. São crenças infundadas que não devem impedir que a mãe amamente seu bebê desde o nascimento.

Contudo, além desses esclarecimentos, é preciso que a sociedade ofereça às mulheres que amamentam mais. Elas precisam contar com as condições necessárias para realizar esse nobre gesto. Por isso, as autoridades públicas, os empresários e os homens – de forma geral – devem assumir um pacto de apoio a esse grupo, oferecendo-lhe ambientes adequados, em especial nos locais de trabalho, e ampliando o período de licença-maternidade.

Como reforça documento recente da Aliança Mundial para as Ações de Aleitamento Materno (Waba), é necessário “trabalhar juntos para o bem comum”. Por isso, assim como várias instituições e cidadãos já abraçaram essa causa, você pode fazer sua parte e propagar essa ideia. Assim, teremos muito mais que um Agosto Dourado. Com esse engajamento em defesa da amamentação, o Brasil ganha uma chance a mais de oferecer um futuro brilhante para as novas gerações.

José Hiran da Silva Gallo
Doutor em Bioética
Diretor do Conselho Federal de Medicina (CFM)