Sérgio Pires

OPINIÃO DE PRIMEIRA – A denúncia era gravíssima. A então prefeita de Jaru, Sônia Cordeiro de Souza, do PT e três dos seus assessores diretos, adulteraram um documento, falsificando dados, inclusive num TAC feito com o Ministério Público. Crime. Tanto que Sônia perdeu o mandato, numa votação na Câmara Municipal, quando 11 dos 12 vereadores decidiram pela cassação. A então prefeita perdeu seu cargo em 21 de dezembro de 2015, poucos dias antes do Natal. Seus adversários comemoram que ela tenha sido defenestrada do cargo, embora legitimamente eleita pela população. Três anos e meio depois, a Justiça rondoniense deu outro veredito: nem Sônia e nenhum dos seus assessores cometeram crime algum.  Isso mesmo! Tirada a fórceps do cargo, por uma legislação eleitoral que merece profundos debates, antes de ter sua culpa provada na Justiça comum; antes de estar no livro dos condenados, uma mulher, eleita de forma legítima, passou todo esse tempo sendo considerada uma espécie de criminosa. E agora? Vão lhe devolver o mandato? Ela será indenizada por tudo o que perdeu? Alguém vai assumir a responsabilidade pelo que aconteceu? Claro que todas as respostas são negativas. Afinal, estamos no Brasil, o país onde não se pode nem sequer publicar nome completo de bandidos, mas, se político, o suspeito está lascado. Pelo menos desculpas a ex-prefeita merece. Nem isso vai receber.

Estamos vivendo tempos perigosos. De um lado, ações midiáticas tentam transformar os políticos, eventualmente acusados ou suspeitos de algum crime, como os mais bandidos entre os bandidos. Destruir a reputação de alguém é pra já! Começa com os nomes espalhafatosos dados a operações do Ministério Público e da Polícia (diga-se, sempre com o aval do Judiciário!), transformando de imediato os suspeitos em condenados pela opinião pública. Há, claro, muitos casos em que os investigados se transformam em réus e há muitos que são culpados mesmo e condenados no final dos processos. Mas e os outros, os que são inocentes, os que não têm culpa alguma? Passam anos sendo apontados nas ruas como criminosos; suas famílias são alvo de chacotas e ofensas; sua saúde sucumbe. Absolvidos, anos depois, pela lentidão com que esses casos se arrastam, nunca mais serão os mesmos. Até porque, depois de condenados pela opinião pública (e ainda mais agora, com o inferno cruento das redes sociais), não há quem os absolva. Por isso, é muito melhor ser um assassino cruel, um serial killer, um chefe do crime organizado do que ser um político suspeito. Para os criminosos comuns, toda a proteção da lei e dos seus direitos. Para os políticos suspeitos, a eterna condenação do capeta, não importa se ele seja inocente ou culpado. Dona Sônia nunca mais vai recuperar o que perdeu. Jamais. Isso é a verdadeira democracia?

APLAUSOS A ROCHA: RESULTADO DA SESAU

É contagiante o entusiasmo do secretário Fernando Máximo, quando fala sobre os primeiros resultados do trabalho à frente da Secretaria de Saúde do Estado. A retirada de pelo menos 60 pacientes do chão, das cadeiras e das áreas abertas do sempre superlotado Hospital João Paulo II, é o tema que, sem dúvida, mais deixa satisfeito o médico. Ele fala com emoção quando resume o longo, cansativo, mas produtivo resultado. E não deixa de comemorar o evento do último final de semana, quando foi visitar o Joao Paulo, ao lado do governador Marcos Rocha. Durante vários momentos, o Governador foi aplaudido pelos pacientes e seus familiares. Num momento em que as críticas à classe política são duríssima e a estrutura de saúde pública deixa muito a desejar, quando o Governador foi saudado e aplaudido, certamente Máximo considerou que os primeiros passos foram dados com segurança e que todo o esforço foi recompensado, pelo reconhecimento público. Muitas outras medidas foram tomadas, aliviando um pouco a pressão sobre o único pronto socorro da Capital. O JP continuará lotado, principalmente por causa dos acidentes de trânsito nos finais de semana, envolvendo muitas vítimas que pilotam ou são caroneiros de motos. Ao participar do programa Papo de Redação (Rádio Parecis FM, segunda s sexta, do meio dia às 14 horas), Máximo disse que a bebida alcóolica nos fins de semana é uma das grandes culpadas por tantos mortos, feridos e aleijados. Até quando?

FOI RESOLVER E SE FERROU!

Em março, uma chuvarada alagou parte da BR 319, no trecho logo depois da ponte sobre o rio Madeira, no bairro da Balsa. As águas invadiram a pista e ela isolou aquela região. Quem ia para a região das vilas além da ponte, para os lados de Humaitá e quem vinha de lá, não tinha como passar. O problema se acentuou porque era feriado. O Dnit rondoniense decidiu agir, mesmo sem recursos, mesmo que de forma paliativa, para que o trânsito não fosse interrompido, cortando a ligação de Porto Velho com aquela região toda. Em poucas horas, graças a um trabalho duro da sua equipe, o Dnit elevou o leito da rodovia, resolvendo o problema, até que fosse dada uma solução definitiva. Solução, aliás, é de responsabilidade legal do Dnit do Amazonas, segundo os protocolos de atuação. Se fosse esperar pelos amazonenses para resolver o problema, certamente a 319 teria ficado interrompida durante vários dias. Como não há verba para novas obras, a turma local do Dnit não pode fazer mais nada. A do Amazonas simplesmente ignorou o problema. Mas quem está sendo cobrado pelo Ministério Público? Isso mesmo. Foram aqueles que tiveram a boa vontade de resolver um problemão. Agora, com o pequeno trecho improvisado com deficiências, principalmente para motoristas e motoqueiros que ali passam em alta velocidade, moradores da área exigem a correção definitiva do trecho. Não cobram do Dnit do Amazonas, é claro. Cobram do daqui, que apenas atuou com boa vontade para resolver uma situação emergencial e que está sem verba para praticamente nenhum serviço. Quem mandou se meter para ajudar?

JI-PARANÁ, SUA FEIRA E O PODER

A Rondônia Rural Show abre suas portas para a oitava edição nesta quarta-feira, em Ji-Paraná, cheia de esperança de um grande crescimento, na contra mão do pessimismo que tem sido constatada na agenda da economia do país. A feira começou, há oito anos com foco na agricultura familiar, mas cresceu de tal forma que chega à sua edição de 2019 com mais de 300 expositores. Ela tem cunho internacional, porque pelo menos onze países estarão representados. O faturamento previsto é na ordem de 700 milhões de reais, pelo menos 170 milhões a mais do que a edição do ano passado. Quando o volume de negócios superou os 533 milhões de reais. Durante os quatro dias da sua realização, já que vai até o sábado, dia 25, a Rondônia Rural Show deve receber pelo menos 100 mil visitantes. Ji-Paraná será o centro dos negócios da política do Estado, nesses próximos dias. O Governo do Estado investiu pesado para o sucesso da feira. O governador Marcos Rocha e sua equipe de secretários deverão participar ativamente de vários momentos da exposição. A Assembleia Legislativa, aliás, realizará sessão itinerante na feira, a primeira da atual legislatura. O presidente Laerte Gomes fez questão de que o parlamento rondoniense valorizasse ainda mais o evento, levando para lá uma sessão especial, onde serão tratados também temas da maior importância para a cidade e para a região central do Estado. O poder de Rondônia se instala em Ji-Paraná durante os próximos quatro dias.

RONDONIENSES PAGAM 6 MILHÕES AO ENEM

Não se sabe ainda quantos dos 77.815 rondonienses inscritos neste ano, para as provas do Enem, vão ter sucesso. Mas é certo que eles vão pagar algo em torno de 6 milhões de reais em taxas. Há um percentual dos que estão isentos, mas perto de 90 por cento pagará os 85 reais que precisam ser depositados até essa quinta, dia 23, para estarem aptos a fazerem as provas.  O Enem é realizado todos os anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação. Em 21 edições, o Enem já recebeu quase 100 milhões de inscrições. As datas das provas deste ano ainda não foram definidas pelo governo. Os últimos números divulgados apontam que o Enem deste ano terá mais de 6 milhões e 300 mil estudantes inscritos. As melhores notas do Enem dão acesso direto aos programas SISU e PROUNI, que garantem vagas nas universidades públicas federais do país. As provas são sempre difíceis. Em 2017, por exemplo, apenas 53 delas tiveram nota máxima. Em 2018, foram pouco mais de 60.

VIGILANTES NAS ESCOLAS: SÓ EM 2020

Discurso. Discurso. Discurso. Horas de discursos. No final, nenhum conclusão objetiva e a curto prazo. Quem sabe no ano que vem? As escolas de Porto Velho, principalmente, mas também de todo o Estado, continuam sendo roubadas, furtadas, assaltadas. Sem a presença de vigilantes, elas estão inteiramente à mercê dos criminosos. A Seduc considera que a Polícia Militar pode assumir a missão de cuidar também desse problema. Mas, como lembrou o deputado Jair Montes (ele e Anderson Pereira idealizaram e realizaram audiência pública na Assembleia, para discutir a volta dos vigilantes nos educandários rondonienses), a PM tem hoje uma deficiência entre oito mil e 10 mil homens e mulheres. Como terá condições de assumir, plenamente e com sua estrutura atual, mais esse grave problema da segurança pública? “Os furtos às escolas só aumentam. Os números são gigantescos”, disse Montes. O problema para começar a contratar vigilantes é a falta de orçamento neste ano. Vamos incluir no PPA do ano que vem e, daí sim, vejo com otimismo a possibilidade de começar a voltarem os profissionais de vigilância, num primeiro momento ao menos nas escolas que mais têm sofrido ataques”, disse o parlamentar. O assunto vai continuar na pauta, mas, ao menos neste 2019, pouca coisa pode ser feita.

DOMINGO SEM OBJETIVOS CLAROS

O que pretendem, afinal, os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que convocaram grande manifestação nacional para este próximo domingo, dia 26? A ideia inicial era se contrapor ao movimento realizado sob liderança das esquerdas, contra o chamado corte nas verbas para universidades e escolas federais, mas que na verdade é apenas um contingenciamento. Ataques furiosos pelas redes sociais foram aumentando o volume da troca de insultos entre os dois lados. A convocação da manifestação por grupos mais radicais pró Bolsonaro, passaram a falar também em protestos contra o Congresso e contra o STF, além, é claro, de todo o esquerdismo. O PSL rachou e uma ala avisou que o movimento é extemporâneo e que não participará. O MBL, movimento da direita de apoio ao governo de Bolsonaro, também caiu fora. Nesta terça, o próprio Presidente, que chegou a cogitar participar do protesto, já desistiu e pediu aos ministros que também não se envolvam. Os apoiadores de Bolsonaro podem sim protestar contra a inércia do Congresso e eventuais decisões do STF, mas sempre de forma democrática e dentro do respeito a Constituição. Só fazer barulho e gritar palavras de ordem, copiando algumas manifestações sem sentido do PT e aliados, não resolve nada. É só trocar um grupo extremista por outro. Então, para que convocar uma manifestação sem objetivos claros? Só para dividir os apoiadores do governo? Se essa é a meta, os organizadores conseguiram…

PERGUNTINHA

O que você achou do novo presente da Aneel, que autorizou mais um aumento de até 50 por cento no valor das bandeiras tarifárias, o que vai significar outro reajuste no valor das nossas contas de energia elétrica?