A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (12) a operação Florestas de Papel, que mira um esquema de desmatamento ilegal que movimentou pelo menos R$ 80 milhões na Amazônia. A ação envolve mais de 150 policiais e ocorre em Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão e Pará.

Ação envolve mais de 150 policiais federais em RR, AM, MA, PA e MT — Foto: Divulgação/PF

São cumpridos oito mandados de prisão, 56 de busca e apreensão e quatro de suspensão de atividades econômicas. Um empresário que estava de férias em Fortaleza foi preso. Ele tem oito empresas em seu nome e seria um dos maiores beneficiários do esquema.

De acordo com a PF, operação mira 22 madeireiras que cometeram as irregularidades entre 2014 e 2017, principalmente no Sul de Roraima. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara da Seção Judiciária do estado.

Nas investigações, a PF identificou o desmatamento de 260.000 metros cúbicos de madeira, o suficiente para encher 8 mil caminhões.

Segundo a polícia, os donos das firmas usavam laranjas e empresas de fachada para conseguir a emissão de DOFs, licença exigida para transporte e armazenamento de produtos e subprodutos florestais de origem nativa, como toras de madeira e madeira serrada.

As fraudes eram feitas no SISDOF, sistema do IBAMA que gerencia a expedição dos Documentos de Origem Florestal (DOF).

“A PF identificou mais de 91.000 metros cúbicos de madeira serrada que teriam sido “regularizadas” mediante fraude. Convertidas em toras de madeira, este quantitativo se aproxima de 260.000 metros cúbicos, ou 120.000 toras, o suficiente para carregar aproximadamente 8 mil caminhões”, detalhou a PF.

Dentre as espécies desmatadas encontravam-se Ipês, Cedros, Maçarandubas, Aroeiras e Jacarandás, dentre outras. No mercado, o valor das madeiras envolvidas na fraude poderia chegar a quase R$ 80 milhões.