Acadêmicos do curso de direito da Universidade Federal de Rondônia (Unir) estão entre as 11 equipes de todo o Brasil que tiveram seus projetos aprovados na primeira fase da Willem C. Vis International Commercial Arbitration Moot (Vis Moot), uma das principais competições de júri simulado do mundo. A 26ª edição da competição, que é realizada anualmente, acontece este ano de 13 a 18 de abril em Viena, na Áustria.

Equipe de estudantes de direito da Unir representa Rondônia em competição internacional — Foto: Cássia Firmino/G1

Formado por Júlia Bordalo, Jamyle Jardim, Stéffe Daiana, Walelasoetxeige Paiter Bandeira Suruí, Juan Irineu, Laís Von Dollmger e Jaques Ferreira, o grupo reúne alunos do 6º ao 8º período do curso e terá uma participação histórica na competição, já que esta é a primeira vez que acadêmicos de Rondônia têm seus projetos inscritos.

Segundo Júlia, a ideia para se inscrever e mandar o projeto para a competição surgiu com o convite de uma das participantes da equipe. “Uma das integrantes do nosso grupo é muito interessada nessas competições internacionais, ela já participou de alguns projetos fora do Brasil, e aí chamou a gente, convidou algumas pessoas que ela sabia que se interessariam, e ela mesmo que montou o grupo”, explica a acadêmica.

Com o objetivo de estimular a prática do estudo do direito comercial e arbitragem, para resolver disputas comerciais, a Vis Moot reúne estudantes de direito de universidades de todo o mundo. Na edição de 2019, 379 equipes participarão da competição, em que casos hipotéticos serão representados em audiências simuladas diante de um conselho formado por membros de diversas universidades.

“Esse projeto reúne faculdades de direito do mundo todo e é dividido em duas fases, a escrita e a oral. Na primeira, a gente manda duas peças, que é como chamamos no direito. É um caso concreto, em que temos que defender as duas partes, e aí temos um prazo para enviar. A fase oral acontece em Viena, em uma competição de arbitragem em que são sorteados os grupos e quem defenderá cada parte”, explica Júlia.

Em meio ao sentimento de ansiedade promovido pela participação inovadora, o grupo que pretende ir com todos os integrantes e um orientador para a Áustria, divide a emoção da conquista com a logística de arrecadação de fundos para custear a viagem, hospedagem, alimentação e material.

“Nas faculdades daqui nós estudamos mais direito internacional público do que o privado. A ideia é expandir esse conhecimento, conhecer outras faculdades. Principalmente o Norte do Brasil acaba ficando um pouco de lado nessas competições, então a gente resolveu se aventurar. A premiação é o reconhecimento mesmo. Estamos muito animados”, finaliza a estudante.

As informações sobre o grupo e como ajudar podem ser obtidas por meio do telefone (69) 981149424.

Representatividade

Walelasoetxeige Paiter Bandeira Suruí é uma das integrantes do grupo que vai participar de competição na Áustria — Foto: Cássia Firmino/G1

Walelasoetxeige Suruí destaca a importância da representatividade do grupo e a abertura de portas que a participação pode viabilizar. Dos sete membros que compõe o grupo, cinco são mulheres, sendo uma indígena e uma negra.

Sendo a primeira do povo Suruí a cursar direito na Unir, ela ressalta a importância que a quebra do estereótipo da mulher e dos povos indígenas gera na sociedade. “Isso fala muito sobre a representatividade dentro da universidade, isso é importante para mim e para o povo que eu represento. A gente começa a olhar diferente para as coisas”, finaliza Walelasoetxeige.