Hiran Gallo

A experiência profissional do autor como médico que trabalha e convive diuturnamente com problemas relacionados ao envelhecimento e à morte são os dois principais motivos que trouxeram à tona a emblemática questão dos Cuidados Paliativos no final da vida. Consonante a isso, com o avançar da idade, as perdas se acumulam.

Os amigos, parentes e conhecidos envelhecem e morrem porque esta é a história natural da vida de todos os seres humanos que, mais dia, menos dia, irão morrer em decorrência da idade ou de forma súbita e precocemente, o que não é nada desejável.

O que se espera é que a morte chegue ao entardecer, no período da velhice. No Brasil ocorre um fenômeno de envelhecimento populacional acelerado aliado a uma diminuição significativa das taxas de fecundidade¹.

A análise sumária dos dados populacionais apresenta dados notavelmente preocupantes relacionados ao envelhecimento populacional que acarretará consequências e problemas decorrentes deste fenômeno que implica em abordagens às novas necessidades que são explicitadas pela pessoa idosa, como limitação da autonomia, mobilidade dificultada, acesso a informações, serviços, segurança e saúde preventiva.

De uma forma resumida, se pode afirmar que o rápido envelhecimento da população brasileira irá se refletir em uma inversão na pirâmide populacional, trazendo como consequência, a necessidade substantivar os programas de cuidados com os idosos e com as novas e variadas necessidades que são típicas e próprias desse novo contingente populacional que possui um grande potencial de adoecimento, característica própria e inseparada de todos aqueles se aproximam do final da vida.

Ainda não há no Brasil uma Política Nacional de Cuidados Paliativos e urge a necessidade de assistir a população idosa com toda a gama de problemas que envolvem o envelhecimento.

Idosos com doenças terminais são tratados de forma improvisada na rede de saúde pública que ainda não está preparada para receber esses pacientes quando se aproximam do final da vida. Não é incomum nos depararmos com idosos em assistência ventilatória tratados em ambientes impróprios como salas de pronto atendimento que não são destinadas ou equipadas para tal finalidade.

Da mesma forma, tem chamado a atenção da classe médica, que atua no setor privado, que os portadores de doenças crônicas e irreversíveis sejam acompanhados em Unidades de Terapia Intensiva que são destinadas para pacientes recuperáveis, resgatáveis e que, em tese, portam alguma possibilidade de recuperação. No entanto, manter estes pacientes internados em UTIs envolve questões financeiras que são muito lucrativas para os empresários e proprietários de hospitais.

O termo Cuidado Paliativo ainda é um neologismo no Brasil. Somente nos últimos tempos é que se tem divulgado e nos fóruns pertinentes sobre o tema e sobre o direito e a autonomia que cada pessoa humana tem para escolher a forma e o lugar de onde quer morrer.

Quando se trata de Cuidados Paliativos, a participação do Estado brasileiro é insignificante e as responsabilidades muito reduzidas, visto que os cuidados como os idosos, terminais ou não, ficam, na absoluta maioria das vezes, sob a responsabilidade das famílias. Não é incomum a carência de recursos de ordem financeira que permitam a contratação de cuidadores/as especializados/as que atendam no ambiente familiar.

Dessa forma, os cuidados aos/às idosos/as geralmente são realizados por um membro da família e, em sua grande maioria, é destinado a uma mulher que reside no mesmo domicílio ou próximo do domicilio do/a idoso/a.

É paradigmático que todos nós, algum dia, necessitaremos cuidar ou sermos cuidados por outro e isto constitui uma questão central na vida de todas as pessoas, e todas as ferramentas necessárias devem ser utilizadas para viabilizar a implantação de Serviços de Cuidados Paliativos nas comunidades brasileiras em geral.

O envelhecimento populacional traz como consequência imediata uma inevitável preocupação de todas as pessoas que devem admitir: cedo ou tarde estão diante de uma situação na qual deverão cuidar e que inapelavelmente deverão receber cuidados relacionados ao processo natural de envelhecer.

Existe um momento no qual não existe mais a possibilidade de cura para aquele ser humano acometido de fragilidades e adoecimentos decorrentes do processo de envelhecimento que culminará na inexorável morte.

Procedimentos diagnósticos e terapêuticos aumentam o sofrimento e não mais prolongam a sobrevida dessas pessoas e, assim, os cuidados devem ser destinados a melhorar a qualidade de vida, em especial ao grupo de pacientes portadores de doenças crônicas, como as doenças oncológicas, as síndromes demenciais e sequelas de neuropatias em geral, todas de curso irreverssível.

É preciso que se enfrente infalibilidadade da morte com a preservação da dignidade do paciente e que seja proporcionando a ele a oportunidade de morrer em paz, preferencialmente na companhia da família, dos amigos e no ambiente familiar.

O envelhecimento populacional traz como consequência imediata uma inevitável preocupação de todas as pessoas que devem admitir que, cedo ou tarde, estão diante de uma situação na qual deverão cuidar e que inapelavelmente deverão receber cuidados relacionados ao processo natural de envelhecer.

Existe um momento no qual não existe mais a possibilidade de cura para aquele ser humano acometido de fragilidades e adoecimentos decorrentes do processo de envelhecimento que culminará na inexorável morte.

Procedimentos diagnósticos e terapêuticos aumentam o sofrimento e não mais prolongam a sobrevida dessas pessoas e, assim, os cuidados devem ser destinados a melhorar a qualidade de vida, em especial ao grupo de pacientes portadores de doenças crônicas, como as doenças oncológicas, as síndromes demenciais e sequelas de neuropatias em geral, todas de curso irreversível.

É preciso que se enfrente infalibilidade da morte com a preservação da dignidade do paciente e que seja proporcionando a ele a oportunidade de morrer em paz, preferencialmente na companhia da família, dos amigos e no ambiente familiar.

(1) Site do IBGE. Acessado em 6 de abril de 2017. Disponível na Internet:
http://www.ibge.gov.br/home/

José Hiran da Silva Gallo
Doutor em Bioética

Diretor-Tesoureiro do Conselho Federal de Medicina (CFM)