José Hiran da Silva Gallo *

Nesta quinta-feira, 8 de março, o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher. No entanto, houve um longo caminho até que essa data fosse consolidada como palco para a defesa dos interesses da população feminina, que, ao longo dos séculos, tem lutado pelo respeito aos seus direitos.

As primeiras iniciativas nesse sentido surgiram no fim do século 19. No entanto, foram fatos relatados no século 20 que consolidaram a importância de se atribuir valor simbólico a uma data específica, na qual o protagonismo seria feminino.

Um dos mais marcantes foi o incêndio que matou 149 pessoas, a maioria delas mulheres trabalhadoras, numa fábrica em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Essa tragédia, que aconteceu em 25 de março de 1911, revelou as penosas condições às quais elas estavam sujeitas, muitas delas pobres, sem instrução e imigrantes, materializando a situação adversa a qual estavam submetidas na sociedade americana.

Aos poucos, o mês de março passou a ser palco de reflexões sobre a realidade da mulher. Rússia, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suíça e Estados Unidos estão entre os primeiros países que escolheram esse período para essas comemorações.

Contudo, foi apenas em 1975 que a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou que em todos os anos o dia 8 de março seria das mulheres. Desde então já se passaram mais de quatro décadas, mas, infelizmente, muitos problemas permanecem.

Ao contrário do que se esperava, a relação entre homens e mulheres continua a ser pautada pela desigualdade de oportunidades; pela discriminação com base no gênero; pela violência que traz para o ambiente doméstico a sombra de crimes brutais. Não bastasse essa triste realidade, há a indiferença de muitos contra esses abusos que se multiplicam.

Neste dia 8 de março, congratulo-me com as mulheres, de forma em geral. A todas elas, envio uma mensagem de estímulo para que continuem a lutar por seus sonhos e ideais. Esperamos que, a cada dia, essa população, que ocupa tantos papeis chaves na sociedade, se conscientize de seu poder.

Os tempos mudaram. Os homens e a mulheres precisam compreender que não se pode tratar mais os iguais de forma desigual. Impossível assistir à manutenção de números que dão a exata dimensão desses problemas.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que dos 774 milhões de adultos analfabetos no mundo, 64% são mulheres. No Brasil, os salários pagos às mulheres são, em média, 25% menores do que os dos homens, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desta forma, sem acesso à educação e com rendimentos injustificadamente menores, as mulheres são colocadas em segundo plano, privando-as de seus direitos e dos benefícios que poderiam alçá-las e às suas famílias a um outro estagio.

Ressalte-se que estudos internacionais indicam que nos locais onde as mulheres são respeitadas as taxas de pobreza caem e o crescimento econômico se instala de modo vigoroso e com menos corrupção. Cabe aos homens entenderem que seu papel não está sob ameaça e que todos ganham com essa mudança de paradigma.

É certo que mudanças desse nível exigem esforços individuais e coletivos de longo prazo. Porém, uma caminhada se faz com o primeiro passo. Aos poucos, os resultados virão, permitindo que uma nova realidade instalada permita o surgimento de um mundo mais ético, mais justo, mais igual.

Convido a todos a dar início a essa jornada!

*É diretor-tesoureiro do Conselho Federal de Medicina:Doutor em Bioética